Não solicitamos autorização de terceiros para a publicação de conteúdo neste blog. Caso alguém discorde de alguma publicação, entre em contato pelo e-mail elisandro.felix@gmail.com e solicite, com justificativa, a exclusão do material.
SEJAM BEM-VINDOS AO PORTAL DA TAREFA LEGAL
NÃO RECLAMEM DOS ANÚNCIOS, SÃO ELES QUE AJUDAM MANTER O FUNCIONAMENTO DESSA PÁGINA.

sábado, 16 de janeiro de 2021

QUESTÕES DE LITERATURA PARA O ENSINO MÉDIO COM GABARITO - QUESTÕES ENEM

 LITERATURA NO ENEM - PERÍODOS LITERÁRIOS


QUESTÃO 01: Leia o soneto a seguir:


Soneto


Já da morte o palor me cobre o rosto,

Nos lábios meus o alento desfalece,

Surda agonia o coração fenece,

E devora meu ser mortal desgosto!


Do leito embalde no macio encosto

Tento o sono reter!... já esmorece

O corpo exausto que o repouso esquece...

Eis o estado em que a mágoa me tem posto!


O adeus, o teu adeus, minha saudade,

Fazem que insano do viver me prive

E tenha os olhos meus na escuridade.


Dá-me a esperança com que o ser mantive!

Volve ao amante os olhos por piedade,

Olhos por quem viveu quem já não vive!


AZEVEDO, A. Obra completa.Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2000.


O núcleo temático do soneto citado é típico da segunda geração romântica, porém configura um lirismo que o projeta para além desse momento específico. O fundamento desse lirismo é


(A) a angústia alimentada pela constatação da irreversibilidade da morte.

(B) a melancolia que frustra a possibilidade de reação diante da perda.

(C) o descontrole das emoções provocado pela autopiedade.

(D) o desejo de morrer como alívio para a desilusão amorosa.

(E) o gosto pela escuridão como solução para o sofrimento.


QUESTÃO 02: Leia o texto a seguir:


“Ele era o inimigo do rei”, nas palavras de seu biógrafo, Lira Neto. Ou, ainda, “um romancista que colecionava desafetos, azucrinava D. Pedro II e acabou inventando o Brasil”. Assim era José de Alencar (1829-1877), o conhecido autor de O guarani e Iracema, tido como o pai do romance no Brasil. Além de criar clássicos da literatura brasileira com temas nativistas, indianistas e históricos, ele foi também folhetinista, diretor de jornal, autor de peças de teatro, advogado, deputado federal e até ministro da Justiça. Para ajudar na descoberta das múltiplas facetas desse personagem do século XIX, parte de seu acervo inédito será digitalizada.


História Viva, n. 99, 2011.


Com base no texto, que trata do papel do escritor José de Alencar e da futura digitalização de sua obra, depreende -se que


(A) a digitalização dos textos é importante para que os leitores possam compreender seus romances.

(B) o conhecido autor de O guarani e Iracema foi importante porque deixou uma vasta obra literária com temática atemporal.

(C) a divulgação das obras de José de Alencar, por meio da digitalização, demonstra sua importância para a história do Brasil Imperial.

(D) a digitalização dos textos de José de Alencar terá importante papel na preservação da memória linguística e da identidade nacional.

(E) o grande romancista José de Alencar é importante porque se destacou por sua temática indianista.


QUESTÃO 03: Leia o texto a seguir:


O texto a seguir foi extraído de uma crônica de Machado de Assis e refere-se ao trabalho de um escravo.


“Um dia começou a guerra do Paraguai e durou cinco anos, João repicava e dobrava, dobrava e repicava pelos mortos e pelas vitórias. Quando se decretou o ventre livre dos escravos, João é que repicou. Quando se fez a abolição completa, quem repicou foi João. Um dia proclamou-se a República. João repicou por ela, repicaria pelo Império, se o Império retornasse.”


MACHADO, Assis de. Crônica sobre a morte do escravo João, 1897.


A leitura do texto permite afirmar que o sineiro João:


(A) por ser escravo tocava os sinos, às escondidas, quando ocorriam fatos ligados à Abolição.

(B) não poderia tocar os sinos pelo retorno do Império, visto que era escravo.

(C) tocou os sinos pela República, proclamada pelos abolicionistas que vieram libertá-lo.

(D) tocava os sinos quando ocorriam fatos marcantes porque era costume fazê-lo.

(E) tocou os sinos pelo retorno do Império, comemorando a volta da Princesa Isabel.


QUESTÃO 04: Leia o texto a seguir:


Mal secreto


Se a cólera que espuma, a dor que mora

N’alma, e destrói cada ilusão que nasce.

Tudo o que punge, tudo o que devora

O coração, no rosto se estampasse;


Se se pudesse, o espírito que chora,

Ver através da máscara da face,

Quanta gente, talvez, que inveja agora

Nos causa, então piedade nos causasse!


Quanta gente que ri, talvez, consigo

Guarda um atroz, recôndito inimigo,

Como invisível chaga cancerosa!


Quanta gente que ri, talvez existe,

Cuja ventura única consiste

Em parecer aos outros venturosa!


CORREIA, R. In: PATRIOTA, M. Para compreender Raimundo Correia. Brasília: Alhambra, 1995.


Coerente com a proposta parnasiana de cuidado formal e racionalidade na condução temática, o soneto de Raimundo Correia reflete sobre a forma como as emoções do indivíduo são julgadas em sociedade. Na concepção do eu lírico, esse julgamento revela que


(A) a necessidade de ser socialmente aceito leva o indivíduo a agir de forma dissimulada.

(B) o sofrimento íntimo torna-se mais ameno quando compartilhado por um grupo social.

(C) a capacidade de perdoar e aceitar as diferenças neutraliza o sentimento de inveja.

(D) o instinto de solidariedade conduz o indivíduo a apiedar- se do próximo.

(E) a transfiguração da angústia em alegria é um artifício nocivo ao convívio social.


QUESTÃO 05: Leia o texto a seguir: 


Abatidos pelo fadinho harmonioso e nostálgico dos desterrados, iam todos, até mesmo os brasileiros, se concentrando e caindo em tristeza; mas, de repente, o cavaquinho de Porfiro, acompanhado pelo violão do Firmo, romperam vibrantemente com um chorado baiano.


Nada mais que os primeiros acordes da música crioula para que o sangue de toda aquela gente despertasse logo, como se alguém lhe fustigasse o corpo com urtigas bravas. E seguiram-se outras notas, e outras, cada vez mais ardentes e mais delirantes. Já não eram dois instrumentos que soavam, eram lúbricos gemidos e suspiros soltos em torrente, a correrem serpenteando, como cobras numa floresta incendiada; eram ais convulsos, chorados em frenesi de amor: música feita de beijos e soluços gostosos; carícia de fera, carícia de doer, fazendo estalar de gozo.


AZEVEDO, A. O cortiço. São Paulo: Ática, 1983 (fragmento).


No romance O Cortiço (1890), de Aluízio Azevedo, as personagens são observadas como elementos coletivos caracterizados por condicionantes de origem social, sexo e etnia. Na passagem transcrita, o confronto entre brasileiros e portugueses revela prevalência do elemento brasileiro, pois


(A) destaca o nome de personagens brasileiras e omite o de personagens portuguesas.

(B) exalta a força do cenário natural brasileiro e considera o do português inexpressivo.

(C) mostra o poder envolvente da música brasileira, que cala o fado português.

(D) destaca o sentimentalismo brasileiro, contrário à tristeza dos portugueses.

(E) atribui aos brasileiros uma habilidade maior com instrumentos musicais.


QUESTÃO 06: Leia o texto a seguir:


Epígrafe


Murmúrio de água na clepsidra gotejante,

Lentas gotas de som no relógio da torre,

Fio de areia na ampulheta vigilante,

Leve sombra azulando a pedra do quadrante

Assim se escoa a hora, assim se vive e morre…


Homem, que fazes tu? Para que tanta lida,

Tão doidas ambições, tanto ódio e tanta ameaça?

Procuremos somente a Beleza, que a vida

É um punhado infantil de areia ressequida,

Um som de água ou de bronze e uma sombra que passa…


CASTRO, Eugênio de. Antologia pessoal da poesia portuguesa.


A imagem contida em “lentas gotas de som” (verso 2) é retomada na segunda estrofe por meio da expressão:


(A) tanta ameaça.

(B) som de bronze.

(C) punhado de areia.

(D) sombra que passa.

(E) somente a Beleza.


QUESTÃO 07: Leia o texto a seguir:


Cárcere das almas


Ah! Toda a alma num cárcere anda presa,

Soluçando nas trevas, entre as grades

Do calabouço olhando imensidades,

Mares, estrelas, tardes, natureza.


Tudo se veste de uma igual grandeza

Quando a alma entre grilhões as liberdades

Sonha e, sonhando, as imortalidades

Rasga no etéreo o Espaço da Pureza.


Ó almas presas, mudas e fechadas

Nas prisões colossais e abandonadas,

Da Dor no calabouço, atroz, funéreo!


Nesses silêncios solitários, graves,

que chaveiro do Céu possui as chaves

para abrir-vos as portas do Mistério?!


CRUZ E SOUSA, J. Poesia completa. Florianópolis: Fundação Catarinense de Cultura / Fundação Banco do Brasil, 1993.


Os elementos formais e temáticos relacionados ao contexto cultural do Simbolismo encontrados no poema Cárcere das almas, de Cruz e Sousa, são


(A) a opção pela abordagem, em linguagem simples e direta, de temas filosóficos.

(B) a prevalência do lirismo amoroso e intimista em relação à temática nacionalista.

(C) o refinamento estético da forma poética e o tratamento metafísico de temas universais.

(D) a evidente preocupação do eu lírico com a realidade social expressa em imagens poéticas inovadoras.

(E) a liberdade formal da estrutura poética que dispensa a rima e a métrica tradicionais em favor de temas do cotidiano.


QUESTÃO 08: Leia o texto a seguir:


Lépida e leve


Língua do meu Amor velosa e doce,

que me convences de que sou frase,

que me contornas, que me vestes quase,

como se o corpo meu de ti vindo me fosse.

Língua que me cativas, que me enleias

os surtos de ave estranha,

em linhas longas de invisíveis teias,

de que és, há tanto, habilidosa aranha...

[...]

Amo-te as sugestões gloriosas e funestas,

amo-te como todas as mulheres

te amam, ó língua-lama, ó língua-resplendor,

pela carne de som que à ideia emprestas

e pelas frases mudas que proferes

nos silêncios de Amor!…


MACHADO, G. In: MORICONI, I. (org.). Os cem melhores poemas brasileiros do século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001 (fragmento).


QUESTÃO 09: A discussão sobre gramática na classe está “quente”. Será que os brasileiros sabem gramática? A professora de Português propõe para debate o seguinte texto:


PRA MIM BRINCAR


Não há nada mais gostoso do que o mim sujeito de verbo no infinito. Pra mim brincar. As cariocas que não sabem gramática falam assim. Todos os brasileiros deviam de querer falar como as cariocas que não sabem gramática.


– As palavras mais feias da língua portuguesa são quiçá, alhures e miúde.


(BANDEIRA, Manuel. Seleta em prosa e verso. Org: Emanuel de Moraes. 4. ed. Rio de Janeiro, José Olympio, 1986. Pág. 19)


Com a orientação da professora e após o debate sobre o texto de Manuel Bandeira, os alunos chegaram à seguinte conclusão:


(A) uma das propostas mais ousadas do Modernismo foi a busca da identidade do povo brasileiro e o registro, no texto literário, da diversidade das falas brasileiras.

(B) apesar de os modernistas registrarem as falas regionais do Brasil, ainda foram preconceituosos em relação às cariocas.

(C) a tradição dos valores portugueses foi a pauta temática do movimento modernista.

(D) Manuel Bandeira e os modernistas brasileiros exaltaram em seus textos o primitivismo da nação brasileira.

(E) Manuel Bandeira considera a diversidade dos falares brasileiros uma agressão à Língua Portuguesa.


QUESTÃO 10: Leia o poema a seguir e responda às questões.


Brasil


O Zé Pereira chegou de caravela

E preguntou pro guarani da mata virgem

– Sois cristão?

– Não. Sou bravo, sou forte, sou filho da Morte

Teterê tetê Quizá Quizá Quecê!

Lá longe a onça resmungava Uu! ua! uu!

O negro zonzo saído da fornalha

Tomou a palavra e respondeu

– Sim pela graça de Deus

Canhem Babá Canhem Babá Cum Cum!

E fizeram o Carnaval

Oswald de Andrade


Esse texto apresenta uma versão humorística da formação do Brasil, mostrando-a como uma junção de elementos diferentes.


Considerando-se esse aspecto, é correto afirmar que a visão apresentada pelo texto é


(A) ambígua, pois tanto aponta o caráter desconjuntado da formação nacional, quanto parece sugerir que esse processo, apesar de tudo, acaba bem.

(B) inovadora, pois mostra que as três raças formadoras – portugueses, negros e índios – pouco contribuíram para a formação da identidade brasileira.

(C) moralizante, na medida em que aponta a precariedade da formação cristã do Brasil como causa da predominância de elementos primitivos e pagãos.

(D) preconceituosa, pois critica tanto índios quanto negros, representando de modo positivo apenas o elemento europeu, vindo com as caravelas.

(E) negativa, pois retrata a formação do Brasil como incoerente e defeituosa, resultando em anarquia e falta de seriedade.



E AÍ, GOSTOU DO NOSSO MATERIAL? COMENTA AQUI ABAIXO 👇!






GABARITO


1 - B

2 - D

3 - D

4 - A

5 - C

6 - B

7 - C

8 - E

9 - A

10 - A


sábado, 9 de janeiro de 2021

LEITURA E INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS - ENSINO MÉDIO COM GABARITO

QUESTÃO 01: Leia o texto a seguir:


A tecnologia está, definitivamente, presente na vida cotidiana. Seja para consultar informações, conversar com amigos e familiares ou apenas entreter, a internet e os celulares não saem das mãos e mentes das pessoas. Por esse motivo, especialistas alertam: o uso excessivo dessas ferramentas pode viciar. O problema, dizem os especialistas, é o usuário conseguir diferenciar a dependência do uso considerado normal. Hoje, a internet e os celulares são ferramentas profissionais e de estudo.


(MATSUURA, S. O Globo, 10 jun. 2013)


O desenvolvimento da sociedade está relacionado ao avanço das tecnologias, que estabelecem novos padrões de comportamento. De acordo com o texto, o alerta dos especialistas deve-se à

 

(A) insegurança do usuário, em razão do grande número de pessoas conectadas às redes sociais.

(B) falta de credibilidade das informações transmitidas pelos meios de comunicação de massa.

(C) comprovação por pesquisas de que os danos ao cérebro são muito maiores do que se pode imaginar.

(D) subordinação das pessoas aos recursos oferecidos pelas novas tecnologias, a ponto de prejudicar suas vidas.

(E) possibilidade de as pessoas se isolarem socialmente, em razão do uso das novas tecnologias de comunicação.


QUESTÃO 02: Leia o texto a seguir:

                                             

Soneto de Fidelidade

 

De tudo ao meu amor serei atento

Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto

Que mesmo em face do maior encanto

Dele se encante mais meu pensamento.

 

Quero vivê-lo em cada vão momento

E em seu louvor hei de espalhar meu canto

E rir meu riso e derramar meu pranto

Ao seu pesar ou seu contentamento

 

E assim, quando mais tarde me procure

Quem sabe a morte, angústia de quem vive

Quem sabe a solidão, fim de quem ama

 

Eu possa me dizer do amor (que tive):

Que não seja imortal, posto que é chama

Mas que seja infinito enquanto dure.


(Vinícius de Moraes)


O eu lírico do poema Soneto de fidelidade é atento de modo geral a(o)


(A) zelo.

(B) amor.

(C) encanto.

(D) pensamento.

(E) angústia.


QUESTÃO 03: Leia o texto a seguir:


Motivo


Eu canto porque o instante existe

e a minha vida está completa.

Não sou alegre nem sou triste:

sou poeta.


Irmão das coisas fugidias,

não sinto gozo nem tormento.

Atravesso noites e dias

no vento.


Se desmorono ou se edifico,

se permaneço ou me desfaço,

— não sei, não sei. Não sei se fico

ou passo.


Sei que canto. E a canção é tudo.

Tem sangue eterno a asa ritmada.

E um dia sei que estarei mudo:

— mais nada.


(Cecília Meireles)


Esse texto é um poema, porque apresenta


(A) quatro estrofes e doze versos.

(B) versos irregulares.

(C) o eu lírico expressa seus sentimentos.

(D) versos e rimas ABAB.

(E) forma verbal no presente do indicativo.


QUESTÃO 04: Leia o soneto a seguir:

 

Já da morte o palor me cobre o rosto,

Nos lábios meus o alento desfalece,

Surda agonia o coração fenece,

E devora meu ser mortal desgosto!

 

Do leito embalde no macio encosto

Tento o sono reter!... já esmorece

O corpo exausto que o repouso esquece...

Eis o estado em que a mágoa me tem posto!

 

O adeus, o teu adeus, minha saudade,

Fazem que insano do viver me prive

E tenha os olhos meus na escuridade.

 

Dá-me a esperança com que o ser mantive!

Volve ao amante os olhos por piedade,

Olhos por quem viveu quem já não vive!

 

(AZEVEDO, A. Obra completa. Rio de janeiro: Nova Aguiar, 2000)

 

O núcleo temático do soneto citado é típico da segunda geração romântica, porém configura um lirismo que projeta para além desse momento específico. O fundamento desse lirismo é:

 

 

(A) a angústia alimentada pela constatação da irreversibilidade da morte.

(B) a melancolia que frustra a possibilidade de reação diante da perda.

(C) o descontrole das emoções provocado pela autopiedade.

(D) o desejo de morrer como alívio para a desilusão amorosa.

(E) o gosto pela escuridão como solução para o sofrimento.

 

QUESTÃO 05: Leia o texto a seguir:

 

NEL MEZZO DEL CAMIN...

 

Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigadas

E triste, e triste e fatigado eu vinha

Tinhas a alma de sonhos povoada,

E a alma de sonhos povoada eu tinha...

 

E paramos de súbito na estrada

Da vida: longos anos, presa à minha

A tua mão, a vista deslumbrada

Tive da luz que o teu olhar continha.

 

Hoje, segues de novo... Na partida

Nem o pranto os teus olhos umedece

Nem te comove a dor da despedida.

 

E eu, solitário, volto a face, e tremo,

Vendo o teu vulto que desaparece

Na extrema curva do caminho extremo.

 

(BILAC, Olavo. Poesia. Rio de Janeiro: Ediouro, 1978)

 

Vocabulário: Nel mezzo del camin: No meio do caminho

 

A ideia central do poema é

 

(A) o reencontro de namorados.

(B) o caminho cansativo.

(C) a separação amorosa.

(D) os sonhos dos amantes.

(E) o desencanto da vida.


QUESTÃO 06: Leia o texto a seguir:

 

A ANTIGA ROMA RESSURGE EM CADA DETALHE

 

Dos 20.000 habitantes de Pompéia, só dois escaparam da fulminante erupção do vulcão Vesúvio em 24 de agosto de 79 d.c.. Varrida do mapa em horas, a cidade só foi encontrada em 1748, debaixo de 6 metros de cinzas. Por ironia, a catástrofe salvou Pompéia dos conquistadores e preservou-a para o futuro, como uma joia arqueológica. Para quem já esteve lá, a vista é inesquecível.


A profusão de dados sobre a cidade permitiu ao Laboratório de Realidade Virtual Avançada da Universidade Carnegie Mellon, nos Estados Unidos, criar imagens minuciosas, com apoio do instituto Americano de Arqueologia. Milhares de detalhes arquitetônicos tornaram-se visíveis. As imagens mostram até que nas casas dos ricos se comia pão branco, de farinha de trigo, enquanto na dos pobres, comiam-se pão preto, de centeio.


Outro megaprojeto, para ser concluído em 2020, da Universidade da Califórnia, trata da restauração virtual da história de Roma, desde os primeiros habitantes no século XV a.C., até a decadência, no século V. Guias turísticos virtuais conduzirão o visitante por paisagens animadas por figurantes. Edifícios, monumentos, ruas, aquedutos, termas e sepulturas desfilarão, interativamente. Será possível percorrer vinte séculos da história num dia. E ver com os próprios olhos tudo aquilo que a literatura esforçou-se para contar com palavras.

 

A finalidade principal do texto é

 

(A) convencer.

(B) relatar.

(C) descrever.

(D) persuadir.

(E) informar.


QUESTÃO 07: Leia o texto a seguir:


Apesar de

 

Não lembro quem disse que a gente gosta de uma pessoa não por causa de, mas apesar de. Gostar daquilo que é gostável é fácil: gentileza, bom humor, inteligência, simpatia, tudo isso a gente tem em estoque na hora em que conhece uma pessoa e resolve conquistá-la. Os defeitos ficam guardadinhos nos primeiros dias e só então, com a convivência, vão saindo do esconderijo e revelando-se no dia a dia. Você então descobre que ele não é apenas gentil e doce, mas também um tremendo casca-grossa quando trata os próprios funcionários. E ela não é apenas segura e determinada, mas uma chorona que passa 20 dias por mês com TPM. E que ele ronca, e que ela diz palavrão demais, e que ele é supersticioso por bobagens, e que ela enjoa na estrada, e que ele não gosta de criança, e que ela não gosta de cachorro, e agora? Agora, convoquem o amor para resolver essa encrenca.

 

(MEDEIROS, M. Revista O Globo, n. 790, 12 jun. 2011) (adaptado).

 

Há elementos de coesão textual que retomam informações no texto e outros que as antecipam. Nos trechos, o elemento de coesão sublinhado que antecipa uma informação do texto é


(A) “Gostar daquilo que é gostável é fácil [...]”.

(B) “[...] tudo isso a gente tem em estoque [...]”.

(C) “[...] na hora em que conhece uma pessoa [...]”.

(D) “[...] resolve conquistá-la.”


QUESTÃO 08: Leia o texto a seguir:


As plataformas digitais têm ganhado mais espaço entre os internautas como ferramenta para exercer a cidadania. Através delas, é possível mapear problemas da cidade e propor soluções, utilizando-se das redes sociais para aproximar os moradores e articular projetos. O espaço colaborativo PortoAlegre.cc, um dos mais ativos no país, tem 150 participantes e ajudou a estudante de jornalismo Renata Gomes, 25, a chamar 80 pessoas para retirar 1 tonelada de lixo da orla do rio Guaiba. “Foi a partir da sugestão de um integrante da plataforma que criei a causa. Foi fundamental porque sempre senti vontade de fazer algo pela cidade, mas não sabia como”, diz Renata. O projeto colaborativo baseia-se no conceito de wikicidade (inspirado na enciclopédia virtual Wikipédia), em que um território real recebe anotações virtuais das pessoas por meio de wikispots, que se referem a uma praça, uma rua ou um bairro. “A ideia de wikicidade é fomentar a cocriação, elaboração e experimentação de sugestões que possam ser aplicadas em uma cidade”, explicam Daniel Bittencourt, um dos desenvolvedores do projeto PortoAlegre.cc.

 

(DIDONÊ, D. Cidadania 2.0. Vida Simples, n. 119, jun, 2012)

 

O texto, ao falar da utilização das redes sociais e informar sobre a quantidade de projetos colaborativos espalhados pelo país, expõe a importância das plataformas digitais no exercício da cidadania. O espaço colaborativo PortoAlegre.cc tem como principal objetivo


(A) contratar pessoas para realizarem a limpeza de ruas e de margens dos rios.

(B) sugerir a criação de grupos virtuais de apoio à cidade e sua divulgação na Wikipédia.

(C) reunir pessoas dispostas a utilizar sugestões virtuais para a manutenção e a preservação da cidade.

(D) divulgar as redes sociais para que mais pessoas possam interagir e resolver os problemas da cidade.

(E) aproximar as pessoas de cidades distantes para mapear problemas e criar projetos em comum.


QUESTÃO 09: Leia o texto a seguir:


Primeiro surgiu o homem nu de cabeça baixa. Deus veio num raio. Então apareceram os bichos que comiam os homens. E se fez o fogo, as especiarias, a roupa, a espada e o dever. Em seguida se criou a filosofia, que explicava como não fazer o que não devia ser feito. Então surgiram os números racionais e a História, organizando os eventos sem sentido. A fome desde sempre, das coisas e das pessoas. Foram inventados o calmante e o estimulante. E alguém apagou a luz. E cada um se vira como pode, arrancando as cascas das feridas que alcança.

 

(BONASSI, F. 15 cenas do descobrimento de Brasis. In: MORICONI, Í. (Org.).Os cem melhores contos do século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001)

 

A narrativa enxuta e dinâmica de Fernando Bonassi configura um painel evolutivo da história da humanidade. Nele, a projeção do olhar contemporâneo manifesta uma percepção que


(A) recorre à tradição bíblica como fonte de inspiração para a humanidade.

(B) desconstrói o discurso da filosofia a fim de questionar o conceito de dever.

(C) resgata a metodologia da história para denunciar as atitudes irracionais.

(D) transita entre o humor e a ironia para celebrar o caos da vida cotidiana

(E) satiriza a matemática e a medicina para desmistificar o saber científico.


QUESTÃO 10: Leia o texto a seguir:


Ó Pátria amada, Idolatrada,

Salve! Salve!

Brasil, de amor eterno seja símbolo

O lábaro que ostentas estrelado,

E diga o verde-louro dessa flâmula

— “Paz no futuro e glória no passado.”

Mas, se ergues da justiça a clava forte,

Verás que um filho teu não foge à luta,

Nem teme, quem te adora, a própria morte.

Terra adorada,

Entre outras mil,

És tu, Brasil,

Ó Pátria amada!

Dos filhos deste solo és mãe gentil,

Pátria amada, Brasil!


(Hino Nacional do Brasil. Letra: Joaquim Osório Duque Estrada. Música: Francisco Manuel da Silva) (fragmento).


O hino nacional, de modo geral, corresponde a uma composição musical patriótica. Nesse sentido, o autor do Hino Nacional Brasileiro teve a intenção de


(A) exaltar a grandeza do país por meio da força e do amor do povo pela pátria.

(B) construir um gênero textual formal através de uma linguagem protocolar.

(C) realizar uma espécie de Ode ao país, valorizando a língua portuguesa.

(D) revelar o contexto histórico de produção do hino por meio de uma linguagem rebuscada.

(E) retratar os valores morais e religiosos que regem o povo ao utilizar o termo “terra adorada”.


E AÍ, GOSTOU DO NOSSO MATERIAL? COMENTA AQUI ABAIXO 👇!


 


GABARITO
 
1 – D
2 – B
3 – D
4 – A
5 – C
6 – E
7 – A
8 – D
9 – D
10 – B