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sábado, 14 de fevereiro de 2015

ATIVIDADES CLASSIFICAÇÃO DAS ORAÇÕES SUBORDINADAS SUBSTANTIVAS COM GABARITO

ATIVIDADE












1. Classifique as ORAÇÕES SUBORDINADAS SUBSTANTIVAS.

OSS SUBJETIVA
OSS PREDICATIVA
OSS OBJETIVA DIRETA
OSS OBJETIVA INDIRETA
OSS COMPLETIVA NOMINAL
OSS APOSITIVA

a) O problema é que há escassez de água em alguns lugares da região Nordeste.

b) A internet permite que as pessoas debatam.

c) Não é necessário que o país se feche a outros idiomas.

d) O que acontece é que vemos um enigma.

e) Discordo de que a internet seja apenas velocidade.

f) Parece absurdo que a educação seja sinônimo de descaso das autoridades.

g) Perceba a importância disto: que o arroz representa entre 50% e 80% da ingestão diária de calorias dos asiáticos.

h) Eu não duvido de que você seja capaz.

i) A ideia é que haja uma grande confraternização.

j) Existe a suspeita de que os antibióticos promovam a resistência de micro-organismos.

k) Sabemos que há muita gente estudiosa.

l) O aluno disse que estava com dificuldades.

m) É imprescindível que medidas contra a fome sejam adotadas.

n) Esperamos que haja solução para esse problema.

o) Há o argumento de que alguns alimentos podem provocar alergias.

p) Avise ao organizador se você vem amanhã.

q) Foi importante a descoberta de que o DNA de qualquer organismo compõe-se das mesmas unidades, os genes.

r) Só penso uma coisa: que haja mais respeito aos professores.

s) A professora pediu que todos desligassem o celular.

t) A professora necessita de que todos os alunos façam uma fila.

u) O ministro prometeu que haverá mais investimentos para a educação.

v) Tenho a sensação de que você não está bem.

w) Os cientistas são a favor de que uma nova reunião seja marcada para aprovação da vacina.

x) A engenharia genética permite que se façam alterações pontuais nos genomas.

y) Muitos jovens gostariam de que a educação fosse melhor.

z) É provável que chova amanhã.



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GABARITO

a) OSS PREDICATIVA
b) OSS OBJETIVA DIRETA
c) OSS SUBJETIVA
d) OSS PREDICATIVA
e) OSS OBJETIVA INDIRETA
f) OSS SUBJETIVA
g) OSS APOSITIVA
h) OSS OBJETIVA INDIRETA
i) OSS PREDICATIVA
j) OSS COMPLETIVA NOMINAL
k) OSS OBJETIVA DIRETA
l) OSS OBJETIVA DIRETA
m) OSS SUBJETIVA
n) OSS OBJETIVA DIRETA
o) OSS COMPLETIVA NOMINAL
p) OSS OBJETIVA DIRETA
q) OSS COMPLETIVA NOMINAL
r) OSS APOSITIVA
s) OSS OBJETIVA DIRETA
t) OSS OBJETIVA INDIRETA
u) OSS OBJETIVA DIRETA
v) OSS COMPLETIVA NOMINAL
w) OSS COMPLETIVA NOMINAL
x) OSS OBJETIVA DIRETA
y) OSS OBJETIVA INDIRETA
z) OSS PREDICATIVA

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

ATIVIDADES TEMPOS VERBAIS - MODO INDICATIVO E SUBJUNTIVO COM GABARITO 7º ANO

TEMPOS VERBAIS - MODO INDICATIVO



1. Leia o trecho a seguir.


A Amazônia apresenta uma biodiversidade sem igual em toda a Terra. Em seus rios, por exemplo, nadam cerca de 30% das espécies de peixes de água doce do planeta. A cada momento, estudiosos descobrem uma nova espécie de planta ou animal desse território.


Fonte: Cássia Garcia de Souza e Márcia Paganini Cavéquia. Linguagem: criação e interação, 2009.


Os verbos destacados, no texto lido, encontram-se em um tempo que indica um fato que está acontecendo ou que sempre acontece. Qual é esse tempo?


2. Leia as sentenças a seguir.


A. Quando ele me convidou para conhecer a Gruta do Lago Azul, em Bonito, eu disse que já visitara o lugar.

B. Devido ao desmatamento, muitos animais morreram por falta de comida.

C. Meu amigo sempre contava histórias sobre o valor da natureza.

D. Você gostaria de conhecer a Floresta Amazônica?

E. Por quanto tempo a fauna brasileira resistirá a tantas ameaças?


Agora, responda às questões de acordo com os verbos destacados nas sentenças acima.


I. Em qual das sentenças o verbo expressa a ideia de um fato que já aconteceu, ou seja, completamente concluído? Qual é o tempo desse verbo?


II. Em qual das sentenças o verbo manifesta a ideia de um fato que já aconteceu antes de outro também já acontecido? Em que tempo esse verbo se encontra?


III. Em qual das sentenças o verbo transmite a ideia de um fato que vinha acontecendo, isto é, era contínuo, habitual? Nesse caso, o verbo está em qual tempo?


IV. Em qual das sentenças o verbo exprime um fato que ainda vai acontecer? Qual é o tempo desse verbo?


V. Em qual das sentenças o verbo exprime um fato que pode acontecer no futuro? Qual é esse tempo verbal?


3. Assinale a alternativa correta. Verbos pertencentes ao modo indicativo apresentam os fatos como


(A) incorretos ou imprecisos.

(B) duvidosos ou errados.

(C) certos e imprecisos.

(D) certos ou precisos.


4. Complete as frases a seguir pela forma verbal mais adequada ao contexto.


a) Os ambientalistas já ……………….... salvar muitas espécies que estavam na lista dos animais em risco de extinção. (conseguiram / conseguirão)

b) Hoje em dia, muitas pessoas …………….… papéis, vidros, plásticos e latas, materiais que podem ser reciclados. (separam / separarão)

c) Eu ………………… que mais pessoas se preocupassem com a sobrevivência das espécies ameaçadas de extinção. (gostarei / gostaria)

d) Eles se ……...…………. durante horas até que conseguiram combater o incêndio florestal. (esforçam / esforçaram)

e) Se não tomarmos providências urgentes, a ganância humana ……………...…..  muitas espécies animais. (destruirá / destruiria)


5. Leia o texto a seguir.


Oncinha vira símbolo dos problemas da caça


Um filhote de onça-parda com apenas 1 mês de vida foi resgatado pelo Ibama das mãos de caçadores no interior da Bahia. Cães mataram seu irmão e ela foi usada como isca para atrair a mãe, que morreu alvejada por balas.


Encaminhado ao Centro Nacional de Pesquisa para a Conservação de Predadores Naturais (Cenap), o bebê-onça vive agora um outro drama: como não existem programas para reintegração de tal espécie à natureza, ele está fadado a viver em cativeiro. “O excessivo consumo de recursos da natureza leva à expansão das atividades humanas sobre as áreas naturais. A população também tem culpa”, diz Rose Morato, da ONG Pró-Carnívoros. O Cenap está implantando um sistema de monitoramento de ocorrências similares por todo o país. Os dados serão subsídios para casos de ataques de predadores silvestres a rebanhos - uma das causas da caça criminosa.


Márcio Bortolusso. In: National Geographic, 2002.


Identifique em que tempo verbal está cada um dos verbos destacados no texto acima.



TEMPOS VERBAIS - MODO SUBJUNTIVO


6. Assinale a alternativa correta. Pertencem ao modo subjuntivo os verbos que expressam fatos


(A) incertos ou duvidosos.

(B) incorretos ou incertos.

(C) certos e imprecisos.

(D) duvidosos ou precisos.


7. Leia as sentenças a seguir.


A. Quando cuidarmos melhor de nossa fauna e de nossa flora, teremos menos problemas ambientais.

B. Se eles nos ajudassem, conseguiríamos alcançar mais rápido nosso objetivo.

C. Todos esperam que eu participe de uma instituição de proteção aos animais.


Agora, complete as conclusões de acordo com os verbos destacados nas sentenças acima.


I. Na sentença A, o verbo indica um fato futuro dependente de outro fato também futuro. Portanto, está no tempo  ……………..….

II. Na sentença B, o verbo exprime um fato passado, dependente de outro fato também passado. Pertence ao tempo …………………

III. Na sentença C, o verbo expressa um fato possível de se realizar no momento presente. Pertence, por isso, ao tempo …………………


8. Complete as frases de cada conjunto pelo verbo no tempo adequado do subjuntivo.


PENSAR

a) É provável que nós …………………. mais sobre esse assunto.

b) Gostariam que nós ………………….  mais sobre esse assunto.

c) Quando nós ……………………. mais sobre esse assunto, talvez tenhamos mais consciência sobre os nossos deveres.


MUDAR

d) Quando todos …………………. suas atitudes em relação ao meio ambiente, a situação melhorará.

e) Talvez todos ………………….. suas atitudes em relação ao meio ambiente.

f) Se todos …………………. suas atitudes em relação ao meio ambiente, a situação melhoraria.


PESQUISAR

g) Se ela ……………….. descobriria que muitas espécies já deixaram de existir.

h) Quando ela ………………, descobrirá que muitas espécies já deixaram de existir.

i) É possível que ela ……………… e descubra que muitas espécies já deixaram de existir.


COMPRAR

j) Se as pessoas não ………………… pássaros, tartarugas e outros animais silvestres, o tráfico desses animais chegaria ao fim.

k) Quando as pessoas não ……………….. pássaros, tartarugas e outros animais silvestres, o tráfico desses animais chegará ao fim.

l) É provável que as pessoas não ………………… pássaros, tartarugas e outros animais silvestres.



FONTE:

SOUZA; Cássia Garcia de; CAVÉQUIA; Márcia Paganini. Linguagem: criação e interação. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2009. (Adaptado)




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GABARITO


1. Tempo presente.


2. I. sentença B; pretérito perfeito.

II. sentença A; pretérito mais-que-perfeito

III. sentença C; pretérito imperfeito

IV. sentença E; futuro do presente

V. sentença D; futuro do pretérito


3. D


4. a) conseguiram

b) separam

c) gostaria

d) esforçaram

e) destruirá


5. presente: vive, existem, leva, tem diz; futuro do presente: serão; pretérito perfeito: mataram, morreu.


6. A


7. I. futuro

II. pretérito imperfeito

III. presente


8. a) pensemos

b) pensássemos

c) pensarmos

d) mudarem

e) mudem

f) mudassem

g) pesquisasse

h) pesquisar

i) pesquise

j) comprassem

k) comprarem

l) comprem


terça-feira, 16 de dezembro de 2014

INTERPRETAÇÃO TEXTUAL COM GABARITO 6º ANO - TEXTO CORAÇÃO CONTA DIFERENTE

CORAÇÃO CONTA DIFERENTE




- Ai...

- O que é que você tem, Tiago?

Quem falou ai fui eu. Quem me perguntou o que é que eu tinha foi o Renato, que fica sentado do meu lado e pode vigiar tudo o que eu faço. Ele deve ter pensado que alguma coisa estava doendo. Mas esse ai não era de dor.

Então, suspirei de novo, mas agora sem falar nada. Esse suspiro saiu como um sopro, que balançou as folhas do meu caderno. E pra dentro, baixinho, pra ninguém escutar, eu gemi: Ai, Adriana...

É que ela levantou para ir ao quadro. Logo hoje que ela soltou o cabelo comprido daquele rabo de-cavalo que ela costuma usar. O cabelo dela é tão lindo... Parece de seda e tem um brilho que eu ia dizer que parece o Sol. Mas a Adriana tem cabelos pretos e Sol moreno fica meio esquisito.

7x5=45...

Tá errado, tia! Tá errado! – gritou toda esganiçada a Catarina.

A tia então mandou a Adriana sentar. A Catarina correu e meteu o apagador em cima daqueles números tão bem desenhados, corrigindo com um 35 tão sem graça quanto a sua voz.

Adriana voltou pro lugar dela e eu nem pude ver se ela estava com a cara muito vermelha. Ela ficou com a cabeça abaixada um tempão. Eu senti que ela estava triste e fiquei muito triste também. Aí, arranquei a beiradinha da última página do meu caderno e escrevi:

Não liga, Adriana. O 45 que você escreve é tão lindo quanto o seu cabelo.

Dobrei meu bilhete. Fiz bem depressa uma bolinha com o bilhete dobrado, mirei e joguei. Ela caiu no colo da Adriana.

Meu coração bateu depressa. Ai, ai, ai, meu coração martelando tantosais no peito. A Adriana foi desamassando o bilhete bem devagar. Ela leu, depois guardou dentro do estojo. Nem olhou pro meu lado. De repente me lembrei de uma coisa terrível: EU NÃO TINHA POSTO O MEU NOME NO PAPEL!

Nisso, a tia me chamou. Eu só pensava naquela confusão.

- Tá errado! Tá errado! Deixa eu fazer, tia?

Eu olhei pro quadro e entendi... 8x6=36... A tia me mandou sentar.

Fui, morrendo de sem graça.

Cheguei na minha carteira e vi uma bolinha de papel bem em cima do meu caderno. Quando ninguém estava mais olhando, eu disfarcei e abri:

Eu também me amarro no seu 36.

No cantinho do papel estava assinado: Adriana.

(Coração conta diferente. Lino deAlbergaria. São Paulo: Scipione, 1992).


VAMOS INTERPRETAR O TEXTO

1. Analise o texto e use (V) para os enunciado verdadeiros e (F) para os falsos.

a. (   ) O texto é uma narrativa.
b. (   ) O texto pode ser considerado um poema porque está escrito em versos.
c. (   ) O autor transcreve as falas das personagens, por meio do discurso direto.
d. (   ) O narrador é personagem porque participa das ações da história contada.
e. (   ) O narrador é observador, porque não participa da história contada.

2. Faça a correspondência, de acordo com o texto.

(A)
Tiago
(   )
Tem lindos cabelos pretos.
(B)
Renato
(   )
Narra a história.
(C)
Adriana
(   )
Senta-se próximo ao narrador.
(D)
Catarina
(   )
Tem a voz esganiçada.

3. No 3º parágrafo o narrador explica o que o “ai” que ele disse não era de dor. De acordo com o texto, o que significa esse “ai”?


4. Como a professora da turma é tratada no texto?


5. O narrador ia comparar o brilho dos cabelos de Adriana com o Sol, mas desiste. Retire do texto a frase que indica porque a comparação não era boa.


6. Qual personagem do texto descobre o erro de Adriana e corrige os números no quadro?


7. Adriana descobriu quem tinha escrito o bilhete para ela? Escreva como você chegou a essa conclusão?


8. Enumere as ações de acordo com o texto:

a. (   ) Tiago escreve um bilhete e o joga para Adriana.
b. (   ) Catarina grita que a resposta de Adriana está errada.
c. (   ) Tiago observa Adriana escrevendo no quadro e suspira.
d. (   ) Adriana erra a resposta.
e. (   ) Tiago vai ao quadro e também erra a resposta.
f. (   ) Adriana retorna para sua carteira e fica de cabeça baixa.
g. (   ) Adriana responde Tiago escrevendo um bilhete para ele.


9. A gíria é uma forma de expressão oral ou escrita, usada por determinados grupos em situações de intimidade. Ela faz parte da linguagem coloquial. As gírias devem ser evitadas em situações formais ou cerimoniosas porque nessas ocasiões deve-se utilizar a linguagem padrão que obedece às regras da Língua Portuguesa.

A partir das informações dadas acima, responda:

a) Adriana usa uma gíria no bilhete que escreve para Tiago. Que expressão indica essa gíria?


b) Por que foi possível o uso da linguagem coloquial no bilhete escrito por Adriana?


c) Reescreva o bilhete de Adriana substituindo a gíria por uma expressão da linguagem formal, sem alterar o sentido da mensagem.


10. A palavra “pra” no texto é uma redução da palavra “para”. Geralmente, na fala, reduzimos algumas palavras. Isso porque a comunicação oral exige velocidade. Sendo assim, assinale a alternativa que também possui palavra reduzida.

(A) Tá errado, tia!
(B) Não liga, Adriana.
(C) Dobrei meu bilhete.
(D) Eu só pensava naquela confusão.



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GABARITO

1. a (V), b (F), c (V), d (V), e (F)

2. Tiago narra a história; Renato senta-se próximo ao narrador; Adriana tem lindos cabelos pretos; Catarina tem a voz esganiçada.

3. O "ai" era de emoção, paixão, amor, alegria, felicidade.

4. É tratada por "tia".

5. Adriana tem cabelos pretos e sol moreno fica meio esquisito.

6. Catarina.

7. Sim, porque ela respondeu também com um bilhete ao Tiago, dizendo que se amarrava no seu 36.

8.
a. (5º) Tiago escreve um bilhete e o joga para Adriana.
b. (3º) Catarina grita que a resposta de Adriana está errada.
c. (1º) Tiago observa Adriana escrevendo no quadro e suspira.
d. (2º) Adriana erra a resposta.
e. (6º) Tiago vai ao quadro e também erra a resposta.
f. (4º) Adriana retorna para sua carteira e fica de cabeça baixa.
g. (7º) Adriana responde Tiago escrevendo um bilhete para ele.

9. a) "me amarro"
b) Porque se tratava de uma "conversa escrita" entre amigos próximos.
c) Eu também gostei do seu número 36.

10. A

sábado, 6 de dezembro de 2014

LEITURA E INTERPRETAÇÃO TEXTUAL COM GABARITO - CAMPO GERAL - GUIMARÃES ROSA

O texto conta sobre a infância de um menino da roça que, ao fazer novas descobertas, tem a possibilidade de ampliar o seu olhar.
A personagem principal é Miguilim, um menino do interior de Minas Gerais, sem instrução escolar, mas cheio de imaginação, pois o seu cotidiano na fazenda é repleto de histórias fantásticas. Em um dado momento, Miguilim fica doente de desgosto, pois seu querido irmão Dito havia morrido. Um médico vai visitá-lo.

 

CAMPO GERAL

[...] Depois, de dia em dia, e Miguilim já conseguia de caminha direito, sem acabar cansando. Já sentia o tempero bom da comida; a Rosa fazia para ele todos os doces, de mamão, laranja-da-terra em calda de rapadura, geleia de mocotó. Miguilim, por si, passeava. Descia maneiro à estrada do Tipã, via o capim da flor. Um qualquer dia ia pedir para ir até na Vereda, visitar seo Aristeu. Zerró e Seu-Nome corriam adiante e voltavam. Brincando de rastrear o incerto. Um gavião gritava empinho, perto.
De repente lá vinha um homem a cavalo. Eram dois. Um senhor de fora, o claro da roupa. Miguilim saudou, pedindo a bênção. O homem trouxe o cavalo cá bem junto. Ele era de óculos, corado, alto, com um chapéu diferente, mesmo.
- Deus te abençoe, pequenino. Como é teu nome?
- Miguilim. Eu sou irmão do Dito.
- E seu irmão Dito é o dono daqui?
- Não, meu senhor. O Ditinho está em glória.
O homem esbarrava o avanço do cavalo, que era zelado, manteúdo, formoso como nenhum outro. Redizia:
- Ah, não sabia, não. Deus o tenha em sua guarda... Mas, que é que há, Miguilim?
Miguilim queria ver se o homem estava mesmo sorrindo para ele, por isso é que o encarava.
- Por que você aperta os olhos assim? Você não é limpo de vista? Vamos até lá. Quem é que está em tua casa?
- É mãe e os meninos...
Estava Mãe, Tio Terêz, estavam todos. O senhor alto e claro se apeou. O outro, que vinha com ele, era um camarada. O senhor perguntava à Mãe muitas coisas do Miguilim. Depois perguntava a ele mesmo: - “Miguilim, espia daí: quantos dedos da minha mão você está enxergando? E agora?”
Miguilim espremia os olhos. Drelina e Chica riam. Tomezinho tinha ido se esconder.
- Este nosso rapazinho tem vista curta. Espera aí, Miguilim...
E o senhor tirava os óculos e punha-os em Miguilim, com todo o jeito.
- Olha, agora!
Miguilim olhou. Nem não podia acreditar! Tudo era uma claridade, tudo novo e lindo e diferente, as coisas, as árvores, as caras das pessoas. Via os grãozinhos de areia, a pele da terra, as pedrinhas menores, as formiguinhas passeando no chão de uma distância. E tonteava. Aqui, ali, meu Deus, tanta coisa, tudo... O senhor tinha retirado dele os óculos, e Miguilim ainda apontava, falava, contava como era, como tinha visto. Mãe esteve assim assustada; mas o senhor dizia que aquilo era modo mesmo, só que Miguilim carecia de usar óculos, dali por diante. O senhor bebia café com eles. Era o doutor José Lourenço, do Curvelo. Tudo podia. Coração de Miguilim batia descompassso, ele careceu de ir lá dentro, contar à Rosa, à Maria Pretinha, à Maitina. A Chica veio correndo atrás, mexeu: - “Miguilim, você é piticego...” Ele respondeu: - “Donazinha...”
Quando voltou, o doutro José Lourenço já tinha ido embora.
- Você está triste, Miguilim? – Mãe perguntou.
Miguilim não sabia. Todos eram maiores do que ele, as coisas reviraram sempre dum modo tão diferente, eram grandes demais.
- Pra onde ele foi?
- A foi para a Vereda do Tipã, onde os caçadores estão. Mas amanhã ele volta, de manhã, antes de ir s’imbora para a cidade. Disse que, você querendo, Miguilim, ele junto te leva... – O doutor era homem muito bom, levava o Miguilim, lá ele comprava uns óculos pequenos, entrava para a escola. Depois aprendia ofício. – “Você mesmo quer ir?”
Miguilim não sabia. Fazia peso para não soluçar. Sua alma, até no fundo, se esfriava. Mas Mãe disse:
- Vai, meu filho. É a luz dos teus olhos, que só Deus teve poder para te dar. Fim do ano, a gente puder, faz a viagem também. Um dia todos se encontram... [...]

ROSA, Guimarães. Manuelzão e Miguilim. In: OLIVEIRA, Tania Amaral et al. Língua portuguesa. 3. ed. São Paulo: IBEP, 2012 (Coleção Tecendo Linguagens). 


POR DENTRO DO TEXTO


1. Qual é o personagem principal do texto?


2. O texto retrata a vida das pessoas que vivem na cidade ou na zona rural?


3. Releia o início do texto: “[...] Depois, de dia em dia, e Miguilim já conseguia de caminhar direito, sem acabar cansando. Já sentia o tempero bom da comida”. É possível deduzir a partir desse trecho que Miguilim, antes estava


(A) chateado.

(B) doente.

(C) alegre.

(D) mal-humorado.


4. Que tipo de comida Rosa fazia para Miguilim?


5. No primeiro parágrafo, no trecho “Um qualquer dia ia pedir para ir até na Vereda, visitar seo Aristeu”. Que palavra indica que este texto foi escrito há muito tempo?


6. Como é que Miguilim cumprimentou o doutor José Lourenço, quando o viu pela primeira vez?


7. Como podemos observar no texto, Miguilim tinha problemas de visão. Será que ele percebia esse problema? Justifique a sua resposta.


8. Que reação Miguilim apresentou, para que o doutor José Lourenço suspeitasse de seu problema de visão?


9. Que teste o doutor José Lourenço fez para comprovar o problema de visão de Miguilim?


10. Ao colocar os óculos, como Miguilim passou a enxergar?


11. Que palavra poderia substituir sem alteração de sentido a palavra “carecia” no seguinte trecho? “ Miguilim carecia de usar óculos”.


12. Quando Miguilim coloca os óculos, ele passa a observar o mundo de uma forma diferente. Como esse fato ajuda a mudar a vida dele?


13. No trecho “Miguilim, você é piticego”. A expressão “piticego” é


(A) um elogio.

(B) um apelido carinhoso.

(C) uma ofensa.

(D) uma forma de expressar carinho.


14. Que proposta o doutor José Lourenço fez à mãe de Miguilim?


15. O que é possível deduzir no seguinte trecho? “Miguilim não sabia. Fazia peso para não soluçar.”


16. As palavras “zelado” e “redizia” não podem ser encontradas no dicionário, mas no contexto da história narrada é possível encontrar um sentido para elas. Qual seria o sentido dessas duas palavras?


17. Miguilim, ao usar os óculos do doutor José Lourenço passou a enxergar as coisas com mais nitidez. Que outros sentidos podemos dar à ação de enxergar?


18. As lentes dos óculos ampliaram a visão da personagem. Em sua opinião, que “lentes” podem ampliar a visão de mundo do jovem atual?


19. Explique o sentido do ditado popular “O verdadeiro cego é aquele que não quer enxergar”.


20. Você gostou da história sobre Miguilim? Justifique sua resposta.



FONTE: OLIVEIRA, Tania Amaral et al. Língua portuguesa. 3. ed. São Paulo: IBEP, 2012 (Coleção Tecendo Linguagens). [adaptado] 


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GABARITO


1. Miguilim.

2. Retrata a vida das pessoas que vivem na zona rural.

3. B

4. Rosa fazia todos os doces de mamão, laranja-da-terra em calda de rapadura e geléia de mocotó.

5. A palavra “seo”.

6. Saudou-o pedindo a bênção.

7. Ele tinha problema, mas não percebia porque era uma criança, e na sua condição de criança o mundo era natural daquela forma. Além disso, como não tinha referência de nitidez, não pode saber que sua vista é que estava com problema.

8. Miguilim espremia/ apertava os olhos para enxergar.

9. Mostrou a mão e perguntou quantos dedos Miguilim estava enxergando.

10. Tudo era claridade, tudo novo e lindo e diferente, as coisas, as árvores, as caras das pessoas [...]

11. Precisava/ necessitava.

12. Ao ver as coisas pequenas e mais vivas, Miguilim demonstra um enorme encantamento com o que vê e isso desencadeia a possibilidade de sair de sua cidade para viver em outro lugar.

13. C

14. Pediu para levar Miguilim para a cidade, compraria-lhe óculos e o colocaria na escola.

15. Ficou emocionado, fez força para não chorar.

16. Zelado: bem cuidado; redizer: voltar a falar.

17. A ação de enxergar pode representar o conhecimento e a compreensão de algo, uma visão mais detalhada do mundo e das coisas, uma ampliação do olhar.

18. A palavra lente está em sentido figurado e pode representar experiências que favoreçam uma ampliação do olhar, como por exemplo: ouvir o outro com tolerância, realizar discussões de forma franca, conhecer elementos de diferentes culturas etc.

19. Os verdadeiros cegos não são aqueles que não têm o sentido da visão, mas sim que não buscam conhecer e descobrir o mundo ou visões de mundo diferentes da sua.

20. Resposta pessoal.