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sábado, 14 de junho de 2014

DEBATE EM SALA DE AULA - A VOVÓ NA JANELA - LEITURA, INTERPRETAÇÃO E PRODUÇÃO TEXTUAL

A VOVÓ NA JANELA

Cada sociedade tem a educação que quer: a nossa é péssima, antes de tudo porque aceitamos passivamente que assim seja, além de não fazermos a nossa parte em casa como pais.



Em uma pesquisa internacional sobre aprendizado de leitura, os resultados da Coreia pareciam errados, pois eram excessivamente elevados.

Despachou-se um emissário para visitar o país e checar a aplicação. Era isso mesmo. Mas, visitando uma escola, ele viu várias mulheres do lado de fora das janelas, espiando para dentro das salas de aula. Eram as avós dos alunos, vigiando os netos, para ver se estavam prestando atenção nas aulas.

A obsessão nacional que leva as avós às janelas é a principal razão para os bons resultados da educação em países com etnias chinesas importantes. A qualidade do ensino é um fator de êxito, mas, antes de tudo, é uma consequência da importância fatal atribuída à educação pelos orientais.

Foi feito um estudo sobre níveis de estresse de alunos, comparando americanos com japoneses. Verificou-se que os americanos com notas muito altas eram mais tensos, pois não são bem vistos pelos colegas de escolas públicas. Já os estressados no Japão eram os estudantes com notas baixas, pela condenação dos pais e da sociedade.

Pesquisadores americanos foram observar o funcionamento das casas de imigrantes orientais. Verificou-se que os pais, ao voltar para casa, passam a comandar as operações escolares. A mesa da sala transforma-se em uma área de estudo, onde todos se sentam, sob seu controle estrito. Os que sabem inglês tentam ajudar os filhos. Os outros – e os analfabetos – apenas vigiam. Os pais não se permitem o luxo de outras atividades e abrem mão da televisão. No Japão, é comum as mães estudarem as matérias dos filhos, para que possam ajudá-lo em suas tarefas de casa.

Fala-se do milagre educacional coreano. Mas fala-se pouco do esforço das famílias. Lá, como no Japão, os cursinhos preparatórios começam quase tão cedo quanto a escola. Os alunos mal saem da aula e têm de mergulhar no cursinho. O que gastam as famílias pagando professores particulares e cursinhos é o mesmo que gasta o governo para operar todo o sistema escolar público.

Os exemplos acima lançam algumas luzes sobre o sucesso dos países do Leste Asiático em matéria de educação. Mostram que tudo começa com o desvelo das famílias e com sua crença inabalável de que a educação é o segredo do sucesso. Países como Coreia, Cingapura e Taiwan não gastam muito mais do que nós em educação. A diferença é o empenho da família, que turbina o esforço dos filhos e força o governo a fazer sua parte.

Curioso notar que os nipo-brasileiros são 0,5% da população de São Paulo. Mas ocupam 15% das vagas da USP. Não obstante, seus antepassados vieram para o Brasil com níveis baixíssimos de educação.

Muitos pais brasileiros de classe média achincalham a nossa educação. Mas seu esforço e sacrifício pessoal tendem a ser ínfimos. Quando deixam de assistir à televisão para assegurar-se de que seus pimpolhos estão estudando? Quantos conversam frequentemente com os filhos? As pesquisas mostram que tais gestos têm um impacto enorme sobre o desempenho dos filhos. Se a família é a primeira linha de educação e apoio à escola, que lições estão os mais educados dando às famílias mais pobres?

O Ministério da Saúde da União Soviética reclamava contra o Ministério da Educação, pois julgava que o excesso de horas de estudo depois da escola e nos fins de semana estava comprometendo a saúde da juventude. Exatamente a mesma queixa foi feita na Suíça.

No Brasil, uma pesquisa recente, em escolas particulares de bom nível, mostrou que os alunos do último ano do Ensino Médio indicaram dedicar uma hora por dia aos estudos – além das aulas. Outra pesquisa indicou que os jovens assistem diariamente a quatro horas de televisão. Esses são os alunos que dizem estar se preparando para vestibulares impossíveis.

Cada sociedade tem a educação que quer. A nossa é péssima, antes de tudo porque aceitamos passivamente que assim seja, além de não fazermos a nossa parte em casa. Não podemos culpar as famílias pobres, mas e a indiferença da classe média? Está em boa hora para um exame de consciência. Estado, escola e professores têm sua dose de culpa. Mas não são os únicos merecendo puxões de orelha.

REFERÊNCIA: CASTRO, Cláudio de Moura. A vovó na janela. In: KÖCHE, V.S; BOFF, O.M.B; MARINELLO, A.F. Leitura e produção textual: gêneros textuais do argumentar e expor. Petropolis, RJ: Vozes, 2010.



REFLEXÕES SOBRE O TEXTO

1. O texto pertence ao gênero

(A) notícia porque apresenta fatos verdadeiros sobre a educação.
(B) artigo de opinião porque apresenta a opinião do autor com base em pesquisas.
(C) reportagem porque apresenta dados verdadeiros sobre a realidade educacional.
(D) romance porque conta uma história fantasiosa.

2. No texto, o autor aborda

(A) o sucesso da educação em outros países da Europa.
(B) a dificuldade de os pais ajudarem os filhos com as tarefas escolares.
(C) a falta de recursos financeiros para a educação no Brasil.
(D) o problema da educação brasileira.

3. Para fundamentar sua opinião, o autor faz uso de vários argumentos. Assinale o trecho em que ele usa um argumento de provas concretas.

(A) "Muitos pais brasileiros de classe média achincalham a nossa educação."
(B) "Fala-se do milagre educacional coreano. Mas fala-se pouco do esforço das famílias."
(C) "os nipo-brasileiros são 0,5% da população de São Paulo. Mas ocupam 15% das vagas da USP."
(D) "A obsessão nacional que leva as avós às janelas é a principal razão para os bons resultados da educação em países com etnias chinesas importantes."

4. Assinale o trecho em que NÃO se evidencia uma opinião do autor do texto:

(A) "Cada sociedade tem a educação que quer. A nossa é péssima, antes de tudo porque aceitamos passivamente que assim seja [...]"
(B) "A diferença é o empenho da família, que turbina o esforço dos filhos e força o governo a fazer sua parte."
(C) "Está em boa hora para um exame de consciência. estado, escola e professores têm sua dose de culpa."
(D) "O Ministério da Saúde da União Soviética reclamava contra o Ministério da Educação, pois julgava que o excesso de horas de estudo depois da escola e nos fins de semana estava comprometendo a saúde da juventude."

5. Pesquisadores americanos observaram o funcionamento das casas de imigrantes orientais. Em relação à educação, o que eles verificaram?

6. Com base nas informações no 7º parágrafo, comente sobre a diferença na educação entre Brasil e países do Leste asiático.

7. Com base no 8º parágrafo, é possível afirmar que os nipo-brasileiros (descendentes de japoneses que moram no Brasil) são mais inteligentes do que os brasileiros? Comente.

8. Leia o 9º parágrafo e deduza o significado da palavra “achincalham”.

9. No 11º parágrafo, o autor apresenta uma pesquisa, em que alunos de escolas particulares de bom nível se dedicam uma hora de estudo – além das aulas -, enquanto que assistem diariamente quatro horas de televisão. Você acha que para alguém que pretende obter uma ótima carreira profissional essas horas de estudos são suficientes? Comente.

10. No último parágrafo o autor diz: “Cada sociedade tem a educação que quer. A nossa é péssima, antes de tudo porque aceitamos passivamente”. Você concorda com essa afirmação? Produza um texto para justificar a sua resposta (mínimo 3 parágrafos, máximo 5).



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GABARITO

1. B
2. D
3. C
4. D
5. Eles observaram que os pais, ao retornarem do trabalho, ajudam os filhos com as tarefas escolares.
6. Resposta pessoal. Espera-se que o aluno perceba que as famílias do leste Asiático acreditam que a educação é o segredo do sucesso. Eles se empenham em ajudar os filhos com as atividades escolares e cobram para que o governo faça sua parte.
7. Resposta pessoal. Espera-se que o aluno reflita sobre o texto, atentando-se para a cultura educacional dos japoneses, uma vez que eles reconhecem o valor da educação, como é afirmado em várias parte do texto.
8. Falar mal, criticar, praticar ofensas.
9. Resposta pessoal. Espera-se que o aluno, com base nas informações apresentadas no texto, reconheça que para se obter sucesso nos estudos, consequentemente uma excelente carreira profissional, é preciso dedicar-se aos estudos mais do que é oferecido na sala de aula, inclusive quanto a baixa carga horária oferecida em algumas escola, apenas 4 horas.
10. Produção de texto (resposta pessoal).


quarta-feira, 28 de maio de 2014

LEITURA E INTERPRETAÇAO DE TEXTOS EM LÍNGUA INGLESA COM GABARITO

INTERPRETAÇÃO DE TEXTO: LÍNGUA INGLESA













LEIA O TEXTO PARA RESPONDER ÀS QUESTÕES 01 A 10.


PIZZA

NOT YOUR PAPA’S PIZZA

 

Chicken pizza, seafood gumbo pizza, and even pecan pie pizza were competitors last week when pizza makers gathered in Las Vegas for the festival International Pizza Recipe Contest. the winner was grilled “Gamberian pizza”, a thin-crust pie made by Craing and Karla Priebe of CK’s Grilled Pizza of Norcross, Ga. The Gamberian features Gulf jumbo shrimp, sun-dried tomatoes soaked in port wine, and two fresh pesto sauces.

 

In a contest where creativity is King-America’s old standby, pepperoni, was not even in the running - the Priebes combined two pizza trends: grilling and the use of nontraditional toppings. “The judges loved the smoky flavor”, says a contest spokesperson, “And the innovative use of local Georgia pecans, instead of the pine nuts usually found in pesto sauce.” - Jeannye Thorton.

 

PIZZA SLICES, the first pizzeria opened in 1830 in Naples, Italy - It’s still in business - and the first pizza delivery was made there in 1889. In 1905, the first U.S. pizzeria opened in New York City. # Americans consume 100 acres of pizza a day, or 350 slices per second, and spend $30 billion on about 3 billion pies annually. The 61,000 U.S. pizzerias now outnumber hamburger restaurants. # Sixty-one percent of Americans favor thin-crust pizza; 28 percent prefer thick-crust or pan pizza. Pepperoni, the number 1 topping, is on 36 percent of pizza orders. Anchovies rank last.

 

Lee Neville - Sources: Pizza Today, Smithsonian

 

QUESTÃO 01: A pizza vencedora do concurso em Las Vegas

 

(A) é de massa grossa e leva pequenos camarões embebidos em vinho do Porto.

(B) é de massa fina e leva camarão e tomates secos.

(C) é de massa fina e leva queijo derretido no vinho do Porto.

(D) é de massa grossa e leva um pouco de vinho.

(E) é de massa fina e leva pimentões secos.

 

QUESTÃO 02: Algumas pizzas “concorrentes” no concurso de Las Vegas eram feitas com

 

(A) raízes e ervas.

(B) frutas tropicais.

(C) frutos do mar.

(D) vegetais e legumes.

(E) frutas exóticas.

 

QUESTÃO 03: A primeira pizzaria do mundo

 

(A) ainda está em funcionamento.

(B) foi fechada em 1905.

(C) foi inaugurada em 1930.

(D) foi inaugurada em Nova York.

(E) foi fechada recentemente.

 

QUESTÃO 04: Segundo o texto

 

(A) os americanos gastam em torno de 30 milhões de dólares anuais em pizza.

(B) os americanos consomem, em média, 61.000 pizzas por ano.

(C) os americanos consomem, em média, 350 pizzas por segundo.

(D) o número de pizzarias nos EUA ultrapassa o número de lanchonetes atualmente.

(E) o número de lanchonetes que vendem hambúrgueres ainda é maior nos EUA que o número de pizzarias.

 

QUESTÃO 05: A pizza que os americanos menos consomem é de

 

(A) mussarela.

(B) calabresa.

(C) anchova.

(D) presunto.

(E) camarão.

 

QUESTÃO 06: De acordo com o texto, o significado da palavra “Contest” é

 

(A) contexto.

(B) comércio.

(C) concurso.

(D) curso.

(E) comentário.

 

QUESTÃO 07: A tradução de, “... 350 slices per second, …” é

 

(A) 350 peças por segundos.

(B) 350 séries por segundos.

(C) 350 mordidas por segundos.

(D) 350 pedaços por segundos.

(E) 350 pedidos por segundos.

 

QUESTÃO 08: De acordo com o texto calabresa seria

 

(A) pepperoni.

(B) shrimp.

(C) cheese.

(D) ham.

(E) tuna fish.

 

QUESTÃO 09: Qual é a frase correspondente à “As 61.000 dos U.S. agora ultrapassam o número de lanchonetes.”

 

(A) The 61,000 U.S. pizzerias now go the numbers of snack bars.

(B) The 61,000 U.S. pizzerias now run the bars.

(C) The 61,000 U.S. pizzerias now pass the restaurants.

(D) The 61,000 U.S. pizzerias now cook more than the restaurants.

(E) The 61,000 U.S. pizzerias now outnumber hamburger restaurants.

 

QUESTÃO 10: No 1º e 2º parágrafos, o texto está falando sobre

 

(A) as pizzarias mais famosas dos U.S.

(B) um concurso internacional de receitas de pizzas.

(C) um concurso de beleza das pizzas.

(D) um concurso de consumo de pizzas.

(E) um concurso das pizzas do papai.



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GABARITO


01: B

02: C

03: A

04: D

05: C

06: C

07: D

08: A

09: E

10: B

 

terça-feira, 13 de maio de 2014

LEITURA E INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS ENSINO MÉDIO COM GABARITO

(UNIR-RO 2005): LEIA O POEMA DE DRUMMOND PARA RESPONDER ÀS QUESTÕES 01 A 03.

 

Poema que aconteceu

 

Nenhum desejo neste domingo

nenhum problema nesta vida

o mundo parou de repente

os homens ficaram calados

domingo sem fim nem começo.

 

A mão que escreve este poema

não sabe que está escrevendo

mas é possível que se soubesse

nem ligasse.

 

ANDRADE, C. D. de. Alguma Poesia. In: Obra completa. Rio de Janeiro: J. Aguilar, 1987.

 

QUESTÃO 01: Drummond organizou sua obra em “tendências” de acordo com a “matéria de sua poesia”. Em qual delas o poema poderia ser inserido?

 

(A) O conhecimento amoroso.

(B) O choque social.

(C) Exercícios lúdicos.

(D) A terra natal.

(E) Uma visão da existência.

 

QUESTÃO 02: Na primeira estrofe, as escolhas lexicais constroem a ideia de

 

(A) ausência.

(B) vivacidade.

(C) liberdade.

(D) sofreguidão.

(E) morte.

 

QUESTÃO 03: Com base na relação de sentido entre o título e o poema, pode-se afirmar que

 

(A) o poema é fruto de inspiração sem relação com a realidade.

(B) para o poeta, o ato de poetar independe de reflexão sobre o mundo.

(C) o silêncio dos homens e a parada do mundo impossibilitam o fazer poético.

(D) o ato de poetar liga-se à realidade da vida, mesmo que ela seja constituída de pequenos nadas.

(E) a postura de impassibilidade do poeta resulta do alheamento frente à vida mecanizada.


QUESTÃO 04: (SPACE). Leia o texto a seguir:

 

A morte do jangadeiro

 

Ao sopro do terral abrindo a vela,

Na esteira azul das águas arrastada,

Segue veloz a intrépida jangada

Entre os uivos do mar que se encapela.

 

Prudente, o jangadeiro se acautela

Contra os mil acidentes da jornada;

Fazem-lhe, entanto, guerra encarniçada

O vento, a chuva, os raios, a procela.

 

Súbito, um raio o prostra e, furioso,

Da jangada o despeja na água escura;

E, em brancos véus de espuma, o desditoso.

 

Envolve e traga a onda intumescida,

Dando-lhe, assim, mortalha e sepultura

O mesmo mar que o pão lhe dera em vida.

Padre Antonio Tomás.

 

Infere-se desse poema que os perigos oferecidos pelo mar são

 

(A) ditosos.

(B) envolventes.

(C) inúmeros.

(D) pequenos.

(E) simples.


QUESTÃO 05: Leia o texto a seguir:

 

Por que milho não vira pipoca?

 

Não importa a maneira de fazer a pipoca. Sempre que se chega ao final do saquinho, lá estão os duros e ruidosos grãos de milho que não estouraram. Essas bolinhas irritantes, que já deixaram muitos dentistas ocupados, estão com os dias contados. Cientistas norte-americanos dizem que agora sabem por que alguns grãos de milho de pipoca resistem ao estouro.


Há algum tempo já se sabe que o milho de pipoca precisa de umidade no seu núcleo de amido, cerca de 15%, para explodir. Mas pesquisadores da Universidade Purdue descobriram que a chave para um bem sucedido estouro do milho está na casca.


É indispensável uma excelente estrutura de casca para que o milho estoure. Cascas danificadas impedem que a umidade faça a pressão necessária para que o milho vire pipoca. “Se muita umidade escapar, o milho perde a habilidade de estourar e apenas fica ali”, explica Bruce Hamaker, um professor de química alimentar da Purdue.

 

Estado de Minas, 25 de abril de 2005.

 

Para o milho estourar e virar pipoca é preciso que


(A) a casca seja mais úmida que o núcleo.

(B) a casca evite perda de umidade do núcleo.

(C) o núcleo de amido estoure bem devagar.

(D) o núcleo seja mais transparente que a casca.

(E) a casca seja mais amarela que o núcleo.


QUESTÃO 06: Leia o texto a seguir:

 

RECEITAS DA VOVÓ

 

Lembra aquela receita que só sua mãe ou sua avó sabem fazer? Pois saiba que, além de gostoso, esse prato é parte importante da cultura brasileira. É verdade. Os cadernos de receita são registros culturais. Primeiro, porque resgatam antigas tradições, seja familiares ou étnicas. Além disso, mostram como se fala ou se falava em determinada região. E ainda servem como passagem do tempo, chaves para alcançarmos memórias emocionais que a gente nem sabia que tinha (se você se lembrou do prato que sua avó ou sua mãe fazia, você sabe do que eu estou falando).


FONTE: http://vidasimples.abril.com.br


A tese defendida pelo autor do texto é de que as receitas culinárias

 

(A) fazem com que nos lembremos da nossa infância.

(B) indicam o modo de falar em determinada região.

(C) resgatam nossas tradições familiares e étnicas.

(D) são as que só nossas mães ou avós conhecem.

(E) são uma parte importante da cultura brasileira.


LEIA O TEXTO A SEGUIR PARA RESPONDER ÀS QUESTÕES 07 A 09:


Bom dia Camaradas (obra do Angolano Ondjaki) escrita em Português europeu.

 

[...]

Mas, camarada António, tu não preferes que o país seja assim livre? Eu gostava de fazer esta pergunta quando entrava na cozinha. Abria a geleira, tirava a garrafa de água.

Antes de chegar aos copos, já o camarada António me passava um. As mãos dele deixavam no vidro umas dedadas de gordura, mas eu não tinha coragem de recusar aquele gesto. Servia-me, bebia um golo, dois, e ficava à espera da resposta dele.

O camarada António respirava primeiro. Fechava a torneira depois. Limpava as mãos, mexia no fogo do fogão.

Então, dizia:

- Menino, no tempo do branco isto não era assim...

Depois, sorria. Eu mesmo queria era entender aquele sorriso. Tinha ouvido histórias incríveis de maus-tratos, de más condições de vida, pagamentos injustos, e tudo mais. Mas o camarada António gostava dessa frase dele a favor dos portugueses, e sorria assim tipo mistério.

- António, tu trabalhavas para um português?

- Sim, - sorria. – Era um senhor diretor, bom chefe, me tratava bem mesmo...

[...]

- Mas, António...Tu não achas que cada um deve mandar no país? Os portugueses tavam aqui a fazer o quê?

- Ê! Menino, mas naquele tempo a cidade estava mesmo limpa...Tinha tudo, não faltava nada...

-Ô António, não vês que não tinha tudo? As pessoas não tinham um salário justo, quem fosse negro não podia ser diretor, por exemplo...

- Mas tinha pão na loja, menino, os machimbombos funcionavam...- ele só sorrindo.

- Mas ninguém era livre, António...Não vês isso?

- Ninguém era livre, como assim? Era livre sim, podia andar na rua e tudo...

- Não é isso António – eu levantava-me do banco. – Não eram angolanos que mandavam no país, eram portugueses..., e isso não pode ser...

O camarada António aí ria só.                                                        


(ONDJAKI, 2006, p. 17-18).


QUESTÃO 07: A obra “Bom dia Camaradas” de Ondjaki oscila quanto ao gênero: é uma obra que trata da ficção literária e que, ao mesmo tempo, traz alguns traços da infância do autor. No contexto da obra, no recorte apresentado acima, é possível perceber que

 

(A) para o Camarada, os portugueses pagavam bons salários.

(B) os governantes Portugueses eram bons chefes, segundo o narrador.

(C) o narrador questiona o Camarada que se mostra arrogante em suas respostas.

(D) para o Camarada o domínio Português sobre Angola foi uma das piores épocas.

(E) António é uma voz da submissão ao colonizador e o narrador uma voz consciente.


QUESTÃO 08: Abaixo, o trecho que representa o discurso do Camarada António é

 

(A) “tu não achas que cada um deve mandar no país?”

(B) “bebia um golo, dois, e ficava à espera da resposta”.

(C) “Eu mesmo queria era entender aquele sorriso”.

(D) “As pessoas não tinham um salário justo”.

(E) “Era um senhor diretor, bom chefe”.


QUESTÃO 09: O sentido da expressão “Menino, no tempo do branco isto não era assim” refere-se

 

(A) ao período de infância do narrador.

(B) ao período de infância do Camarada António.

(C) ao período em que Angola era colônia de Portugal.

(D) ao antigo sistema de governo tipicamente angolano.

(E) ao atual sistema de governo angolano.


QUESTÃO 10: Leia a charge a seguir:


 

 

Marque a frase abaixo que se relaciona com a charge acima:

 

(A) Vida sem religião é viagem sem roteiro. (Marquês de Maricá).

(B) Tudo vale a pena quando a alma não é pequena. (Fernando Pessoa).

(C) Em matéria de religião, bebo água de todos os rios. (Guimarães Rosa).

(D) Ciência sem religião é cega; religião sem ciência é paralítica. (Albert Einstein).

(E) Ninguém faz tudo bonito sempre. Até Deus. Ele fez o cavalo e também o rinoceronte. (Vinicius de Moraes).



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GABARITO


01: E

02: A

03: D

04: C

05: B

06: E

07: E

08: E

09: C

10: C