Afonso Henriques de Lima Barreto nasceu no Rio de Janeiro em 1881, ano em que Machado de Assis publicava Memórias póstumas de Brás Cubas. Mestiço de origem humilde, tinha sete anos quando foi assinada a Lei Áurea. Na Escola Politécnica, que frequentou durante cinco anos, o adolescente Lima Barreto sentiu na pele a aspereza do preconceito. Ele era um estranho no meio daqueles jovens brancos, endinheirados e elegantes. No jornalismo sua ironia e sarcasmo encontraram um primeiro veículo de expressão. Assim começou a ficar conhecido entre os estudantes.
Os capítulos iniciais de seu romance de estreia, Recordações do escrivão Isaías Caminha, apareceram na revista Floreal, que ele fundara junto com alguns amigos. A revista durou apenas quatro números. Nessa época começou a entregar-se à bebida. Conseguiu publicar em uma editora portuguesa a versão em livro do Recordações..., renunciando a qualquer centavo de direitos autorais. Segundo ele "um livro desigual, propositalmente malfeito, brutal por vezes, sincero sempre". Era o ano de 1909. Poucos jornais noticiaram o aparecimento do romance. No ano seguinte, decepcionado, solicitou nova licença para tratamento de saúde. Já se evidenciavam no organismo do escritor os estragos produzidos pelo álcool.
Em 1910 o Jornal do Comércio começou a publicar, em folhetins, Triste fim de Policarpo Quaresma. Em 1914, começaram as alucinações alcoólicas que obrigaram a família a internar o escritor no hospício da Praia Vermelha. Nova internação ocorreu em 1918, num hospital de onde enviou a Monteiro Lobato - então dono de uma editora - os originais de Vida e morte de M.J. Gonzaga de Sá. Pela primeira vez iria receber direitos autorais, já que tinha vendido havia pouco, para outro editor, os originais de Os bruzundangas.
Candidatou-se três vezes à Academia Brasileira de Letras, mas não foi eleito. Nessa altura, tinha-se acabado a esperança de atingir, em vida, a glória literária. No dia 1º de novembro de 1922 morreu Lima Barreto. Seu pai morreria 48 horas depois.
OBRA
Romances: Recordações do escrivão Isaías Caminha (1909); Triste fim de Policarpo Quaresma (1911) em folhetim e 1915 em livro); Numa e Ninfa (1915); Vida e morte de M.J. Gonzaga de Sá (1919); Clara dos Anjos (1948).
Sátira: Os bruzundangas (1923); Coisas do Reino do Jambom (1953).
Conto: História e sonhos (1920).
Escreveu ainda artigos e crônicas para jornais, estudos literários e dois livros de memórias.
"A glória das letras só as tem quem a elas se dá inteiramente; nelas como no amor, só é amado quem se esquece de si inteiramente e se entrega com fé cega", registraria ele num de seus livros.
A característica mais marcante da literatura de Lima Barreto é a denúncia dos problemas sociais de sua época. Vítima de tantos preconceitos, foi inevitável que traços biográficos do autor se incorporassem nas obras, especiamente em Recordações do escrivão Isaías Caminha, uma pesada caricatura em que o escritor esmiúça os bastidores da imprensa da época. Essa ousadia de Lima Barreto inaugurava a rebeldia em nosso Pré-Moderdismo. Num momento em que o tom geral da literatura era determinado por "sonetos bem rimadinhos, penteadinhos, perfumadinhos, lambidinhos...", como denunciou, Lima fugiu aos padrões da linguagem da época. Em Triste fim de Policarpo Quaresma, inventa o patriota ingênuo que luta até o fim da vida para restabelecer as tradições brasileiras mais legítimas. A personagem-título de Vida e morte de M.J. Gonzaga de Sá traz reflexos autobiográficos e torna-se pretexto para deunciar a estúpida mania de aristocracia, o preconceito racial, a obsessão da elite brasileira em querer "ser doutor", a sabedoria oca e a burocracia.
Como escrever era para ele uma forma de denúncia, sua linguagem tinha de se construir com a clareza da simplicidade, avessa aos adornos que eram moda na época.
ATIVIDADES
1. Qual a principal característica da obra de Lima Barreto?
(a) O romantismo exacerbado e a idealização da realidade.
(b) A denúncia dos problemas sociais e a crítica à sociedade brasileira.
(c) A valorização da estética formal e da linguagem rebuscada.
(d) A fuga da realidade e a construção de mundos fantasiosos.
2. Qual romance de Lima Barreto é considerado uma autobiografia ficcional, onde o autor explora temas como o racismo e a desigualdade social?
(a) Triste fim de Policarpo Quaresma.
(b) Recordações do escrivão Isaías Caminha.
(c) Numa e a Ninfa.
(d) Os bruzundangas.
3. Qual foi a principal dificuldade enfrentada por Lima Barreto em sua vida e obra?
(a) A falta de reconhecimento literário em vida.
(b) A dificuldade em encontrar um editor para suas obras.
(c) A ausência de um estilo próprio e original.
(d) O excesso de crítica por parte da intelectualidade da época.
4. Qual o papel do personagem Policarpo Quaresma na obra de Lima Barreto?
(a) Representar o brasileiro idealizado e patriota.
(b) Ser um símbolo da luta pela igualdade social.
(c) Representar a figura do intelectual alienado da realidade.
(d) Criticar o nacionalismo exacerbado e a idealização do passado.
5. Qual a importância de Lima Barreto para a literatura brasileira?
a) Introduziu o realismo mágico na literatura brasileira.
b) Foi um dos principais representantes do modernismo brasileiro.
c) Foi um precursor do pré-modernismo, denunciando os problemas sociais do Brasil.
d) Consolidou o romantismo no Brasil, com suas obras idealizadas.
GABARITO
1: B
2: B
3: A
4: D
5: C
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