Formado em Direito pela Faculdade de Direito do Recife em 1924, José Lins do Rego não seguiu a carreira jurídica por muito tempo. Durante seus anos de estudante, aproximou-se de intelectuais de peso, como Gilberto Freyre, cujo pensamento sociológico influenciou diretamente sua visão sobre o Nordeste. Em 1932, já residindo em Alagoas, onde conviveu com Graciliano Ramos e Rachel de Queiroz, o autor publicou de forma independente sua obra de estreia, Menino de Engenho. O livro foi um sucesso imediato de crítica e público, inaugurando o chamado "Ciclo da Cana-de-Açúcar".
Como expoente da Segunda Fase do Modernismo brasileiro — a geração de 1930 —, José Lins do Rego destacou-se pelo regionalismo de caráter universal. Sua escrita abandonou o experimentalismo formal da fase de 1922 para focar na denúncia social, no realismo psicológico e na análise das transformações econômicas do Nordeste, que presenciava a transição dos velhos engenhos patriarcais para as modernas usinas industriais. Suas obras são caracterizadas por uma linguagem fluida, oral e intimista, assemelhando-se a uma conversa espontânea.
O "Ciclo da Cana-de-Açúcar" estendeu-se por romances fundamentais como Doidinho (1933), Bangüê (1934), O Moleque Ricardo (1935) e Usina (1936). No entanto, sua obra-prima máxima viria em 1943 com a publicação de Fogo Morto. O romance sintetiza com perfeição o colapso do sistema açucareiro tradicional através de três personagens inesquecíveis: o mestre seleiro José Amaro, o delirante Capitão Vitorino Carneiro da Cunha e o decadente coronel Lula de Holanda. O livro consolidou o autor na história literária por sua profunda sensibilidade ao retratar a decadência humana e social.
Ao longo de sua vida, José Lins do Rego também atuou como jornalista, cronista esportivo e crítico literário, além de ter sido eleito para a Academia Brasileira de Letras (Cadeira nº 26) em 1955. O escritor faleceu no Rio de Janeiro, em 12 de setembro de 1957. Sua obra permanece como um patrimônio essencial para a compreensão da formação sociocultural brasileira, unindo a crônica da terra à complexidade da alma humana.
Academia Brasileira de Letras (ABL). Perfil Biográfico de José Lins do Rego. Disponível em: academia.org.br (Acesso em maio de 2026).
Enciclopédia Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. "José Lins do Rego". São Paulo: Itaú Cultural. Disponível em: enciclopedia.itaucultural.org.br (Acesso em maio de 2026).
Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj). Pesquisa Escolar: "José Lins do Rego". Recife. Disponível em: fundaj.gov.br (Acesso em maio de 2026).
ATIVIDADE
Questão 1: A infância de José Lins do Rego, vivida no Engenho Corredor, foi determinante para a sua futura produção literária. Com base no texto, a principal matéria-prima das obras do autor consiste na:
A) experiência urbana adquirida durante o período da faculdade no Recife.
B) rotina, na decadência e nas relações sociais do Nordeste açucareiro.
C) inovação linguística inspirada nos poetas da primeira fase modernista.
D) advocacia e nos processos jurídicos que ele acompanhou na Paraíba.
E) idealização romântica da vida no campo e da natureza nordestina.
A) o experimentalismo radical e a destruição da sintaxe tradicional.
B) o distanciamento dos problemas sociais em busca de uma arte pura.
C) o regionalismo de caráter universal aliado à denúncia social.
D) a forte influência do Romantismo europeu na descrição dos engenhos.
E) o foco exclusivo na elite industrial urbana de São Paulo e do Rio de Janeiro.
Questão 3: O estilo de escrita de José Lins do Rego diferencia-se de outras estéticas literárias por sua aproximação com a oralidade. O texto caracteriza a linguagem do autor como:
A) erudita e complexa, exigindo dicionário por parte do leitor.
B) fluida, oral e intimista, assemelhando-se a uma conversa espontânea.
C) formal e técnica, devido à sua formação na Faculdade de Direito.
D) poética e abstrata, com foco em metáforas de difícil compreensão.
E) arcaica, buscando resgatar o português falado no período colonial.
Questão 4: Considere o seguinte trecho do texto: "O romance sintetiza com perfeição o colapso do sistema açucareiro tradicional através de três personagens inesquecíveis (...)". A obra-prima descrita, que consolida a transição dos velhos engenhos para as usinas industriais, é intitulada:
A) Menino de Engenho.
B) Doidinho.
C) O Moleque Ricardo.
D) Bangüê.
E) Fogo Morto.
Questão 5: Além de romancista do "Ciclo da Cana-de-Açúcar", José Lins do Rego teve uma atuação plural na cultura brasileira. De acordo com a biografia, o autor também exerceu as funções de:
A) diplomata, pintor e tradutor de obras clássicas.
B) jornalista, cronista esportivo e crítico literário.
C) professor universitário, político e cineasta.
D) dramaturgo, ator de teatro e ensaísta político.
E) sociólogo profissional, historiador e editor de livros.
Questão 1: B
Questão 2: C
Questão 3: B
Questão 4: E
Questão 5: B


