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sábado, 16 de maio de 2026

JOSÉ LINS DO REGO: VIDA E OBRA NO MODERNISMO BRASILEIRO

 



José Lins do Rego Cavalcanti nasceu em 3 de junho de 1901, no município de Pilar, na Paraíba. Criado no engenho de açúcar de seu avô materno, o Engenho Corredor, o escritor teve uma infância profundamente imersa na rotina, na decadência e nas relações sociais do Nordeste açucareiro. Essa vivência rural e as histórias contadas pelos trabalhadores e familiares tornaram-se a matéria-prima de toda a sua produção literária posterior, marcando sua identidade como um dos maiores contadores de histórias da literatura nacional.

Formado em Direito pela Faculdade de Direito do Recife em 1924, José Lins do Rego não seguiu a carreira jurídica por muito tempo. Durante seus anos de estudante, aproximou-se de intelectuais de peso, como Gilberto Freyre, cujo pensamento sociológico influenciou diretamente sua visão sobre o Nordeste. Em 1932, já residindo em Alagoas, onde conviveu com Graciliano Ramos e Rachel de Queiroz, o autor publicou de forma independente sua obra de estreia, Menino de Engenho. O livro foi um sucesso imediato de crítica e público, inaugurando o chamado "Ciclo da Cana-de-Açúcar".

Como expoente da Segunda Fase do Modernismo brasileiro — a geração de 1930 —, José Lins do Rego destacou-se pelo regionalismo de caráter universal. Sua escrita abandonou o experimentalismo formal da fase de 1922 para focar na denúncia social, no realismo psicológico e na análise das transformações econômicas do Nordeste, que presenciava a transição dos velhos engenhos patriarcais para as modernas usinas industriais. Suas obras são caracterizadas por uma linguagem fluida, oral e intimista, assemelhando-se a uma conversa espontânea.

O "Ciclo da Cana-de-Açúcar" estendeu-se por romances fundamentais como Doidinho (1933), Bangüê (1934), O Moleque Ricardo (1935) e Usina (1936). No entanto, sua obra-prima máxima viria em 1943 com a publicação de Fogo Morto. O romance sintetiza com perfeição o colapso do sistema açucareiro tradicional através de três personagens inesquecíveis: o mestre seleiro José Amaro, o delirante Capitão Vitorino Carneiro da Cunha e o decadente coronel Lula de Holanda. O livro consolidou o autor na história literária por sua profunda sensibilidade ao retratar a decadência humana e social.

Ao longo de sua vida, José Lins do Rego também atuou como jornalista, cronista esportivo e crítico literário, além de ter sido eleito para a Academia Brasileira de Letras (Cadeira nº 26) em 1955. O escritor faleceu no Rio de Janeiro, em 12 de setembro de 1957. Sua obra permanece como um patrimônio essencial para a compreensão da formação sociocultural brasileira, unindo a crônica da terra à complexidade da alma humana.

Referências:

Academia Brasileira de Letras (ABL). Perfil Biográfico de José Lins do Rego. Disponível em: academia.org.br (Acesso em maio de 2026).

Enciclopédia Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. "José Lins do Rego". São Paulo: Itaú Cultural. Disponível em: enciclopedia.itaucultural.org.br (Acesso em maio de 2026).

Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj). Pesquisa Escolar: "José Lins do Rego". Recife. Disponível em: fundaj.gov.br (Acesso em maio de 2026).

ATIVIDADE

Questão 1: A infância de José Lins do Rego, vivida no Engenho Corredor, foi determinante para a sua futura produção literária. Com base no texto, a principal matéria-prima das obras do autor consiste na:

A) experiência urbana adquirida durante o período da faculdade no Recife.
B) rotina, na decadência e nas relações sociais do Nordeste açucareiro.
C) inovação linguística inspirada nos poetas da primeira fase modernista.
D) advocacia e nos processos jurídicos que ele acompanhou na Paraíba.
E) idealização romântica da vida no campo e da natureza nordestina.

Questão 2: José Lins do Rego é classificado como um dos grandes nomes da Segunda Fase do Modernismo brasileiro (Geração de 1930). Uma característica marcante dessa fase, presente na escrita do autor, é:

A) o experimentalismo radical e a destruição da sintaxe tradicional.
B) o distanciamento dos problemas sociais em busca de uma arte pura.
C) o regionalismo de caráter universal aliado à denúncia social.
D) a forte influência do Romantismo europeu na descrição dos engenhos.
E) o foco exclusivo na elite industrial urbana de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Questão 3
O estilo de escrita de José Lins do Rego diferencia-se de outras estéticas literárias por sua aproximação com a oralidade. O texto caracteriza a linguagem do autor como:

A) erudita e complexa, exigindo dicionário por parte do leitor.
B) fluida, oral e intimista, assemelhando-se a uma conversa espontânea.
C) formal e técnica, devido à sua formação na Faculdade de Direito.
D) poética e abstrata, com foco em metáforas de difícil compreensão.
E) arcaica, buscando resgatar o português falado no período colonial.

Questão 4
Considere o seguinte trecho do texto: "O romance sintetiza com perfeição o colapso do sistema açucareiro tradicional através de três personagens inesquecíveis (...)". A obra-prima descrita, que consolida a transição dos velhos engenhos para as usinas industriais, é intitulada:

A) Menino de Engenho.
B) Doidinho.
C) O Moleque Ricardo.
D) Bangüê.
E) Fogo Morto.

Questão 5
Além de romancista do "Ciclo da Cana-de-Açúcar", José Lins do Rego teve uma atuação plural na cultura brasileira. De acordo com a biografia, o autor também exerceu as funções de:

A) diplomata, pintor e tradutor de obras clássicas.
B) jornalista, cronista esportivo e crítico literário.
C) professor universitário, político e cineasta.
D) dramaturgo, ator de teatro e ensaísta político.
E) sociólogo profissional, historiador e editor de livros.












Gabarito

Questão 1: B
Questão 2: C
Questão 3: B
Questão 4: E
Questão 5: B

sábado, 18 de abril de 2026

LEITURA E INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS - PREPARAÇÃO PARA O SAEB

 


LEITURA E INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS - PREPARAÇÃO PARA O SAEB


Leia o texto a seguir para responder às questões 01 e 02.

TEXTO I

    Publicado desde 1954 na França, o Le Monde Diplomatique tem 71 edições internacionais produzidas em 25 línguas. A edição brasileira, "Le Monde Diplomatique Brasil", por ter periodicidade mensal, permite uma dinâmica de divulgação muito diferente dos jornais diários e das revistas semanais.
    O jornal se autodenomina "mídia alternativa", buscando expressar múltiplos olhares sobre questões políticas, econômicas e sociais do Brasil e do mundo. Não se trata de uma publicação noticiosa, voltada à cobertura dos fatos correntes, e sim crítica e reflexiva, sobre acontecimentos e assuntos de interesse da sociedade.
    Os articulistas são, em sua maioria, acadêmicos, estudiosos ou especialistas nos assuntos tratados. Todos os artigos são assinados e permitem refletir sobre a configuração do gênero discursivo artigo de opinião em diferentes mídias impressas. Ao final, os textos trazem a referência bibliográfica das citações neles feitas.


QUESTÃO 01: (D12) Identificar a finalidade de textos de diferentes gêneros.

O principal objetivo desse texto é:

A) Narrar a história da fundação do jornal na França em 1954.
B) Convencer o leitor a assinar uma publicação de periodicidade mensal.
C) Instruir o acadêmico sobre como publicar artigos de opinião assinados.
D) Apresentar as características e a linha de atuação de um veículo de comunicação.

QUESTÃO 02: (D17) Reconhecer o efeito de sentido decorrente do uso da pontuação e de outras notações.

No texto, observa-se o uso das aspas em dois momentos distintos: no nome do veículo “Le Monde Diplomatique Brasil” e na expressão “mídia alternativa”. Ao comparar esses dois usos, percebe-se que as aspas foram empregadas, respectivamente, para:

A) Indicar uma citação direta de um especialista e destacar uma gíria popular.
B) Isolar o título de uma publicação e marcar um termo utilizado pelo próprio jornal para se definir.
C) Ironizar o nome do jornal brasileiro e enfatizar uma crítica política do autor.
D) Demonstrar o estrangeirismo de uma marca e sinalizar um erro gramatical proposital.


Leia o texto a seguir para responder às questões 03 a 05.

TEXTO II

CARTA SOBREVIVE NA ERA DO E-MAIL

Ninguém questiona o fato de que a internet chegou para ficar e está transformando o modo como o mundo se comunica. A proliferação do uso de e-mails, sites de relacionamento e mesmo SMS enterrou para muitos a ideia de enviar uma carta. Mas os correios em todo o mundo descobriram que a carta não desapareceu. Há três anos, o envio de correspondências se mantém estável, segundo a União Postal Universal, fundada em 1874 em Berna. No mundo são 1,2 bilhão de cartas mandadas por dia. Por ano, os campeões são os americanos, com 199 bilhões de cartas. O Japão vem em distante segundo lugar, com 25 bilhões, e a Alemanha, com 21 bilhões. Segundo 193 correios do mundo, há grandes diferenças ainda entre os países sobre como as pessoas se comunicam. Na Arábia Saudita, a carta continua sendo a forma mais usada por trabalhadores imigrantes provenientes da Ásia para se comunicar com suas famílias em seus países de origem. Na África, a realidade é mais problemática. Somente uma a cada oito pessoas tem um endereço para onde alguém possa enviar uma carta. Se nem endereço fixo é uma realidade, a internet continua um sonho distante. No mundo, uma a cada três pessoas tem acesso à internet em casa. Mas a taxa é de uma a cada 20 nos países em desenvolvimento, segundo a União Internacional de Telecomunicações.

Fonte: Agência Estado. Carta sobrevive na era do e-mail. Gazeta do Povo, 6 jun. 2010, p. 15.

QUESTÃO 03: (D1) Localizar informações explícitas em um texto.

De acordo com o texto, qual é o país que ocupa o segundo lugar no ranking mundial de envio de cartas por ano?

A) Arábia Saudita.
B) Japão.
C) Estados Unidos.
D) Alemanha.

QUESTÃO 04: (D4) Inferir uma informação implícita em um texto.

De acordo com o texto, pode-se inferir que a dificuldade de acesso à internet em alguns países em desenvolvimento está relacionada à

A) decisão política de priorizar os serviços postais tradicionais.
B) falta de interesse das empresas de telecomunicações.
C) preferência cultural pelo envio de cartas manuscritas.
D) ausência de infraestrutura básica, como um endereço fixo.

QUESTÃO 05: (D6) Identificar o tema de um texto.

Qual é o tema central abordado nesse texto?

A) A permanência do uso de cartas apesar do avanço tecnológico.
B) A fundação da União Postal Universal em Berna.
C) As dificuldades de comunicação no continente africano.
D) A hegemonia dos Estados Unidos no sistema postal mundial.














GABARITO

01: D
02: B
03: B
04: D
05: A