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segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Coração conta diferente - leitura e interpretação textual 6º ano



Leitura e interpretação textual – 6º ano                 CLIQUE AQUI PARA IMPRIMIR



CORAÇÃO CONTA DIFERENTE





- Ai...

- O que é que você tem, Tiago?

Quem falou ai fui eu. Quem me perguntou o que é que eu tinha foi o Renato, que fica sentado do meu lado e pode vigiar tudo o que eu faço. Ele deve ter pensado que alguma coisa estava doendo. Mas esse ai não era de dor.

Então, suspirei de novo, mas agora sem falar nada. Esse suspiro saiu como um sopro, que balançou as folhas do meu caderno. E pra dentro, baixinho, pra ninguém escutar, eu gemi: Ai, Adriana...

É que ela levantou para ir ao quadro. Logo hoje que ela soltou o cabelo comprido daquele rabo0de-cavalo que ela costuma usar. O cabelo dela é tão lindo... Parece de seda e tem um brilho que eu ia dizer que parece o Sol. Mas a Adriana tem cabelos pretos e Sol moreno fica meio esquisito.

7x5=45...

Tá errado, tia! Tá errado! – gritou toda esganiçada a Catarina.

A tia então mandou a Adriana sentar. A Catarina correu e meteu o apagador em cima daqueles números tão bem desenhados, corrigindo com um 35 tão sem graça quanto a sua voz.

Adriana voltou pro lugar dela e eu nem pude ver se ela estava com a cara muito vermelha. Ela ficou com a cabeça abaixada um tempão. Eu senti que ela estava triste e fiquei muito triste também. Aí, arranquei a beiradinha da última página do meu caderno e escrevi:

Não liga, Adriana. O 45 que você escreve é tão lindo quanto o seu cabelo.

Dobrei meu bilhete. Fiz bem depressa uma bolinha com o bilhete dobrado, mirei e joguei. Ela caiu no colo da Adriana.

Meu coração bateu depressa. Ai, ai, ai, meu coração martelando tantosais no peito. A Adriana foi desamassando o bilhete bem devagar. Ela leu, depois guardou dentro do estojo. Nem olhou pro meu lado. De repente me lembrei de uma coisa terrível: EU NÃO TINHA POSTO O MEU NOME NO PAPEL!

Nisso, a tia me chamou. Eu só pensava naquela confusão.

- Tá errado! Tá errado! Deixa eu fazer, tia?

Eu olhei pro quadro e entendi... 8x6=36... A tia me mandou sentar.

Fui, morrendo de sem graça.

Cheguei na minha carteira e vi uma bolinha de papel bem em cima do meu caderno. Quando ninguém estava mais olhando, eu disfarcei e abri:

Eu também me amarro no seu 36.

No cantinho do papel estava assinado: Adriana.



(Coração conta diferente. Lino deAlbergaria. São Paulo: Scipione, 1992).



VAMOS INTERPRETAR O TEXTO



1. Analise o texto e use (V) para os enunciado verdadeiros e (F) para os falsos.



(   ) O texto é uma narrativa.

(   ) O texto pode ser considerado um poema porque está escrito em versos.

(   ) O autor transcreve as falas das personagens, por meio do discurso direto.

(   ) O narrador é personagem porque participa das ações da história contada.

(   ) O narrador é observador, porque não participa da história contada.





2. Faça a correspondência, de acordo com o texto.



(A)
Tiago
(   )
Tem lindos cabelos pretos.
(B)
Renato
(   )
Narra a história.
(C)
Adriana
(   )
Senta-se próximo ao narrador.
(D)
Catarina
(   )
Tem a voz esganiçada.



3. No 2º parágrafo o narrador explica o que o “ai” que ele disse não era de dor. De acordo com o texto, o que significa esse “ai”?



4. Como a professora da turma é tratada no texto?



5. O narrador ia comparar o brilho dos cabelos de Adriana com o Sol, mas desiste. Retire do texto a frase que indica porque a comparação não era boa.



6. Qual personagem do texto descobre o erro de Adriana e corrige os números no quadro?



7. Adriana descobriu quem tinha escrito o bilhete para ela? Escreva como você chegou a essa conclusão?



8. Enumere as ações de acordo com o texto:



(   ) Tiago escreve um bilhete e o joga para Adriana.

(   ) Catarina grita que a resposta de Adriana está errada.

(   ) Tiago observa Adriana escrevendo no quadro e suspira.

(   ) Adriana erra a resposta.

(   ) Tiago vai ao quadro e também erra a resposta.

(   ) Adriana retorna para sua carteira e fica de cabeça baixa.

(   ) Adriana responde Tiago escrevendo um bilhete para ele.



9. A gíria é uma forma de expressão oral ou escrita, usada por determinados grupos em situações de intimidade. Ela faz parte da linguagem coloquial. As gírias devem ser evitadas em situações formais ou cerimoniosas porque nessas ocasiões deve-se utilizar a linguagem padrão que obedece às regras da Língua Portuguesa.



A partir das informações dadas acima, responda:



a) Adriana usa uma gíria no bilhete que escreve para Tiago. Que expressão indica essa gíria?



b) Por que foi possível o uso da linguagem coloquial no bilhete escrito por Adriana?



c) Reescreva o bilhete de Adriana substituindo a gíria por uma expressão da linguagem padrão, sem alterar o sentido da mensagem.



10. A palavra “pra” no texto é uma redução da palavra “para”. Geralmente, na fala, reduzimos algumas palavras. Isso porque a comunicação oral exige velocidade. Sendo assim, assinale a alternativa que também possui palavra reduzida.



(A) Tá errado, tia!

(B) Não liga, Adriana.

(C) Dobrei meu bilhete.

(D) Eu só pensava naquela confusão.

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 Observação: é política do blog não divulgar o gabarito das atividades.

sábado, 6 de dezembro de 2014

Leitura e Interpretação textual - Campo Geral - Guimarães Rosa

O texto conta sobre a infância de um menino da roça que, ao fazer novas descobertas, tem a possibilidade de ampliar o seu olhar. A personagem principal é Miguilim, um menino do interior de Minas Gerais, sem instrução escolar, mas cheio de imaginação, pois o seu cotidiano na fazenda é repleto de histórias fantásticas. Em um dado momento, Miguilim fica doente de desgosto, pois seu querido irmão Dito havia morrido. Um médico vai visitá-lo.
 

CAMPO GERAL

[...] Depois, de dia em dia, e Miguilim já conseguia de caminha direito, sem acabar cansando. Já sentia o tempero bom da comida; a Rosa fazia para ele todos os doces, de mamão, laranja-da-terra em calda de rapadura, geleia de mocotó. Miguilim, por si, passeava. Descia maneiro à estrada do Tipã, via o capim da flor. Um qualquer dia ia pedir para ir até na Vereda, visitar seo Aristeu. Zerró e Seu-Nome corriam adiante e voltavam. Brincando de rastrear o incerto. Um gavião gritava empinho, perto.
De repente lá vinha um homem a cavalo. Eram dois. Um senhor de fora, o claro da roupa. Miguilim saudou, pedindo a bênção. O homem trouxe o cavalo cá bem junto. Ele era de óculos, corado, alto, com um chapéu diferente, mesmo.
- Deus te abençoe, pequenino. Como é teu nome?
- Miguilim. Eu sou irmão do Dito.
- E seu irmão Dito é o dono daqui?
- Não, meu senhor. O Ditinho está em glória.
O homem esbarrava o avanço do cavalo, que era zelado, manteúdo, formoso como nenhum outro. Redizia:
- Ah, não sabia, não. Deus o tenha em sua guarda... Mas, que é que há, Miguilim?
Miguilim queria ver se o homem estava mesmo sorrindo para ele, por isso é que o encarava.
- Por que você aperta os olhos assim? Você não é limpo de vista? Vamos até lá. Quem é que está em tua casa?
- É mãe e os meninos...
Estava Mãe, Tio Terêz, estavam todos. O senhor alto e claro se apeou. O outro, que vinha com ele, era um camarada. O senhor perguntava à Mãe muitas coisas do Miguilim. Depois perguntava a ele mesmo: - “Miguilim, espia daí: quantos dedos da minha mão você está enxergando? E agora?”
Miguilim espremia os olhos. Drelina e Chica riam. Tomezinho tinha ido se esconder.
- Este nosso rapazinho tem vista curta. Espera aí, Miguilim...
E o senhor tirava os óculos e punha-os em Miguilim, com todo o jeito.
- Olha, agora!
Miguilim olhou. Nem não podia acreditar! Tudo era uma claridade, tudo novo e lindo e diferente, as coisas, as árvores, as caras das pessoas. Via os grãozinhos de areia, a pele da terra, as pedrinhas menores, as formiguinhas passeando no chão de uma distância. E tonteava. Aqui, ali, meu Deus, tanta coisa, tudo... O senhor tinha retirado dele os óculos, e Miguilim ainda apontava, falava, contava como era, como tinha visto. Mãe esteve assim assustada; mas o senhor dizia que aquilo era modo mesmo, só que Miguilim carecia de usar óculos, dali por diante. O senhor bebia café com eles. Era o doutor José Lourenço, do Curvelo. Tudo podia. Coração de Miguilim batia descompassso, ele careceu de ir lá dentro, contar à Rosa, à Maria Pretinha, à Maitina. A Chica veio correndo atrás, mexeu: - “Miguilim, você é piticego...” Ele respondeu: - “Donazinha...”
Quando voltou, o doutro José Lourenço já tinha ido embora.
- Você está triste, Miguilim? – Mãe perguntou.
Miguilim não sabia. Todos eram maiores do que ele, as coisas reviraram sempre dum modo tão diferente, eram grandes demais.
- Pra onde ele foi?
- A foi para a Vereda do Tipã, onde os caçadores estão. Mas amanhã ele volta, de manhã, antes de ir s’imbora para a cidade. Disse que, você querendo, Miguilim, ele junto te leva... – O doutor era homem muito bom, levava o Miguilim, lá ele comprava uns óculos pequenos, entrava para a escola. Depois aprendia ofício. – “Você mesmo quer ir?”
Miguilim não sabia. Fazia peso para não soluçar. Sua alma, até no fundo, se esfriava. Mas Mãe disse:
- Vai, meu filho. É a luz dos teus olhos, que só Deus teve poder para te dar. Fim do ano, a gente puder, faz a viagem também. Um dia todos se encontram... [...]

ROSA, Guimarães. Manuelzão e Miguilim. In: OLIVEIRA, Tania Amaral et al. Língua portuguesa. 3. ed. São Paulo: IBEP, 2012 (Coleção Tecendo Linguagens). 


RESPONDA

1. Qual é o personagem principal do texto?

2. O texto retrata a vida das pessoas que vivem na cidade ou na zona rural?

3. Releia o início do texto: “[...] Depois, de dia em dia, e Miguilim já conseguia de caminhar direito, sem acabar cansando. Já sentia o tempero bom da comida”. É possível deduzir a partir desse trecho que Miguilim, antes estava

(A) chateado.
(B) doente.
(C) alegre.
(D) mal-humorado.

4. Que tipo de comida Rosa fazia para Miguilim?

5. No primeiro parágrafo, no trecho “Um qualquer dia ia pedir para ir até na Vereda, visitar seo Aristeu”. Que palavra indica que este texto foi escrito há muito tempo?

6. Como é que Miguilim cumprimentou o doutor José Lourenço, quando o viu pela primeira vez?

7. Como podemos observar no texto, Miguilim tinha problemas de visão. Será que ele percebia esse problema? Justifique a sua resposta.

8. Que reação Miguilim apresentou, para que o doutor José Lourenço suspeitasse de seu problema de visão?

9. Que teste o doutor José Lourenço fez para comprovar o problema de visão de Miguilim?

10. Ao colocar os óculos, como Miguilim passou a enxergar?

11. Que palavra poderia substituir sem alteração de sentido a palavra “carecia” no seguinte trecho? “ Miguilim carecia de usar óculos”.

12. Qual foi a reação de Miguilim depois que ele usou, por alguns instantes, os óculos do doutor José Lourenço?

13. No trecho “Miguilim, você é piticego”. A expressão “piticego” é

(A) um elogio.
(B) um apelido carinhoso.
(C) uma ofensa.
(D) uma forma de expressar carinho.

14. Que proposta o doutor José Lourenço fez à mãe de Miguilim?

15. O que é possível deduzir no seguinte trecho? “Miguilim não sabia. Fazia peso para não soluçar.”

16. As palavras “zelado” e “redizia” não podem ser encontradas no dicionário, mas no contexto da história narrada é possível encontrar um sentido para elas. Qual seria o sentido dessas duas palavras?

17. Miguilim, ao usar os óculos do doutor José Lourenço passou a enxergar as coisas com mais nitidez. Que outros sentidos podemos dar à ação de enxergar?

18. As lentes dos óculos ampliaram a visão da personagem. Em sua opinião, que “lentes” podem ampliar a visão de mundo do jovem atual?

19. Explique o sentido do ditado popular “O verdadeiro cego é aquele que não quer enxergar”.

20. Você gostou da história sobre Miguilim? Justifique sua resposta.

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domingo, 21 de setembro de 2014

Atividades de gramática - Tipos de predicado - 8 ano do Ensino Fundamental

Antes de responder, clique aqui para revisar os conteúdos.

1. Informe o tipo de predicado em cada oração abaixo.

(1) Predicado nominal
(2) Predicado verbal
(3) Predicado verbo-nominal

a) (   ) A menina anda meio triste.
b) (   ) A menina andava devagar.
c) (   ) O menino ficou triste.
d) (   ) O menino ficou em casa ontem.
e) (   ) O professor saiu cansado da aula.
f) (   ) O professor chegou cedo para a reunião.
g) (   ) Helena estava irritada.
h) (   ) Helena partiu o bolo alegre.
i) (   ) Helena leu a carta revoltada.
j) (   ) Juliana permaneceu calada durante a aula.
k) (   ) Juliana tornou-se uma mulher poderosa.
l) (   ) Sabrina continuou calada.
m) (   ) Sabrina ganhou muitos presentes.
n) (   ) Jonas saiu chateado.
o) (   ) O discurso da professora foi emocionante.
p) (   ) Chove bastante em São Paulo.
q) (   ) O diretor aceitou o convite.
r) (   ) Tatiane é muito sorridente.
s) (   ) Mariana saiu muito apressada.
t) (   ) Lá em casa somos três.
u) (   ) Margarete escolheu seu vestido para o casamento.
v) (   ) Minha irmã está na escola.
w) (   ) Amanheceu.
x) (   ) Os preços dos imóveis estão altíssimos.
y)  (   ) Junior escreveu a carta contente.
z)  (   ) Lucas recitou o poema chorando.

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terça-feira, 26 de agosto de 2014

Leitura e interpretação de textos verbais e não verbais 8º e 9º ano

Expressões da linguagem: texto verbal e texto não verbal  

Tipos de linguagem presentes em textos

Verbal: oral ou escrita
Não verbal: visual, sonora, corporal

Há milhares de anos o homem tenta registrar seus pensamentos, sentimentos e aspectos da vida. Inicialmente por meio de imagens, os seres humanos, ao longo de sua história, criaram outras linguagens gráficas, números, ideogramas,letras, permitindo maior comunicação, ou seja, criaram códigos.
Para que possamos nos comunicar com alguém, é preciso que os códigos utilizados sejam compartilhados pelos indivíduos que participam dos atos de comunicação. Podemos citar, como exemplo, o código de trânsito,que permite ao motorista e aos pedestres estabelecerem uma comunicação.
A língua também é um código,pois é um conhecimento partilhado que permite a comunicação entre os indivíduos de um grupo social. Cada língua se organiza de acordo com hábitos e tradições de um determinado grupo, refletindo a sua cultura.
 Podemos dividir as formas de comunicação em dois grandes grupos, de acordo com o código que utilizam.
Linguagem verbal - quando o homem utiliza a palavra para se comunicar. A palavra, também chamada de signo linguístico,pode ser observada em situações de comunicação falada ou escrita.
Linguagem não verbal - quando o homem se comunica com gestos, expressões fisionômicas,imagens, sinais etc. 

Referência:
OLIVEIRA, Tânia Amaral. Língua Portuguesa, 7º ano. 3. ed. São Paulo: IBEP, 2012.

  Clique aqui e saiba mais.

 ATIVIDADES

1. Clique aqui e responda as atividades. (versão para impressão)

2. Clique aqui e responda as atividades online. (versão adaptada)

Observação: As atividades organizadas foram coletadas aleatoriamente de vários sites da internet, portanto não é possível creditar a autoria exata. Se alguém souber da autoria, por gentileza informar nos comentários.

 

domingo, 15 de junho de 2014

DEBATE EM SALA DE AULA - A VOVÓ NA JANELA - LEITURA E INTERPRETAÇÃO TEXTUAL




 A VOVÓ NA JANELA

Cada sociedade tem a educação que quer: a nossa é péssima, antes de tudo porque aceitamos passivamente que assim seja, além de não fazermos a nossa parte em casa como pais.



Em uma pesquisa internacional sobre aprendizado de leitura, os resultados da Coreia pareciam errados, pois eram excessivamente elevados.

Despachou-se um emissário para visitar o país e checar a aplicação. Era isso mesmo. Mas, visitando uma escola, ele viu várias mulheres do lado de fora das janelas, espiando para dentro das salas de aula. Eram as avós dos alunos, vigiando os netos, para ver se estavam prestando atenção nas aulas.

A obsessão nacional que leva as avós às janelas é a principal razão para os bons resultados da educação em países com etnias chinesas importantes. A qualidade do ensino é um fator de êxito, mas, antes de tudo, é uma consequência da importância fatal atribuída à educação pelos orientais.

Foi feito um resultado sobre níveis de estresse de alunos, comparando americanos com japoneses. Verificou-se que os americanos com notas muito altas eram mais tensos, pois não são bem vistos pelos colegas de escolas públicas. Já os estressados no Japão eram os estudantes com notas baixas, pela condenação dos pais e da sociedade.

Pesquisadores americanos foram observar o funcionamento das casas de imigrantes orientais. Verificou-se que os pais, ao voltar para casa, passam a comandar as operações escolares. A mesa da sala transforma-se em uma área de estudo, onde todos se sentam, sob seu controle estrito. Os que sabem inglês tentam ajudar os filhos. Os outros – e os analfabetos – apenas vigiam. Os pais não se permitem o luxo de outras atividades e abrem mão da televisão. No Japão, é comum as mães estudarem as matérias dos filhos, para que possam ajudá-lo em suas tarefas de casa.

Fala-se do milagre educacional coreano. Mas fala-se pouco do esforço das famílias. Lá, como no Japão, os cursinhos preparatórios começam quase tão cedo quanto a escola. Os alunos mal saem da aula e têm de mergulhar no cursinho. O que gastam as famílias pagando professores particulares e cursinhos é o mesmo que gasta o governo para operar todo o sistema escolar público.

Os exemplos acima lançam algumas luzes sobre o sucesso dos países do Leste Asiático em matéria de educação. Mostram que tudo começa com o desvelo das famílias e com sua crença inabalável de que a educação é o segredo do sucesso. Países como Coreia, Cingapura e Taiwan não gastam muito mais do que nós em educação. A diferença é o empenho da família, que turbina o esforço dos filhos e força o governo a fazer sua parte.

Curioso notar que os nipo-brasileiros são 0,5% da população de São Paulo. Mas ocupam 15% das vagas da USP. Não obstante, seus antepassados vieram para o Brasil com níveis baixíssimos de educação.

Muitos pais brasileiros de classe média achincalham a nossa educação. Mas seu esforço e sacrifício pessoal tendem a ser ínfimos. Quando deixam de assistir à televisão para assegurar-se de que seus pimpolhos estão estudando? Quantos conversam frequentemente com os filhos? As pesquisas mostram que tais gestos têm um impacto enorme sobre o desempenho dos filhos. Se a família é a primeira linha de educação e apoio à escola, que lições estão os mais educados dando às famílias mais pobres?

O Ministério da Saúde da União Soviética reclamava contra o Ministério da Educação, pois julgava que o excesso de horas de estudo depois da escola e nos fins de semana estava comprometendo a saúde da juventude. Exatamente a mesma queixa foi feita na Suíça.

No Brasil, uma pesquisa recente, em escolas particulares de bom nível, mostrou que os alunos do último ano do Ensino Médio indicaram dedicar uma hora por dia aos estudos – além das aulas. Outra pesquisa indicou que os jovens assistem diariamente a quatro horas de televisão. Esses são os alunos que dizem estar se preparando para vestibulares impossíveis.

Cada sociedade tem a educação que quer. A nossa é péssima, antes de tudo porque aceitamos passivamente que assim seja, além de não fazermos a nossa parte em casa. Não podemos culpar as famílias pobres, mas e a indiferença da classe média? Está em boa hora para um exame de consciência. Estado, escola e professores têm sua dose de culpa. Mas não são os únicos merecendo puxões de orelha.


REFERÊNCIA: CASTRO, Cláudio de Moura. A vovó na janela. In: KÖCHE, V.S; BOFF, O.M.B; MARINELLO, A.F. Leitura e produção textual: gêneros textuais do argumentar e expor. Petropolis, RJ: Vozes, 2010.



RESPONDA NO CADERNO



1. Qual é o tipo de texto? Marque a opção correta.



(A) notícias porque apresentam fatos verdadeiros sobre a educação.

(B) artigo de opinião porque apresenta a opinião do autor com base em pesquisas.

(C) reportagem porque apresentam dados verdadeiros sobre a realidade educacional.

(D) romance porque conta uma história fantasiosa.



2. Qual é a grande problemática que o autor apresenta?



3. No 1º e 2º parágrafo, o autor fala sobre uma pesquisa. Que pesquisa é essa? Comente a respeito.



4. Qual é o tipo de obsessão relatada no 3º parágrafo? O que você acha disso?



5. Comente o que você entendeu com a leitura do 4º parágrafo.



6. Pesquisadores americanos observaram o funcionamento das casas de imigrantes orientais. Em relação à educação, o que eles verificaram?



7. Leia o 6º parágrafo, reflita e comente como é a educação na Coreia e no Japão.



8. Com base nas informações no 7º parágrafo, comente sobre a diferença na educação entre Brasil e países do Leste asiático.



9. Com base no 8º parágrafo, é possível afirmar que os nipo-brasileiros (descendentes de japoneses que moram no Brasil) são mais inteligentes do que os brasileiros? Comente.



10. Leia o 9º parágrafo e deduza o significado da palavra “achincalham”.



11. Você concorda com os questionamentos que o autor faz no 9º parágrafo? Comente.



12. No 11º parágrafo, o autor apresenta uma pesquisa, em que alunos de escolas particulares de bom nível se dedicam uma hora de estudo – além das aulas -, enquanto que assistem diariamente quatro horas de televisão. Você acha que para alguém que pretende obter uma ótima carreira profissional essas horas de estudos são suficientes? Comente.



13. O último parágrafo diz: “Cada sociedade tem a educação que quer. A nossa é péssima, antes de tudo porque aceitamos passivamente”. Comente sobre essa informação.

Questões elaboradas e adaptadas pelo prof. Elisandro Félix de Lima



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