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quinta-feira, 22 de agosto de 2013

ATIVIDADES LEITURA E INTERPRETAÇÃO TEXTUAL GÊNERO CRÔNICA COM GABARITO

LEIA O TEXTO A SEGUIR:


Fonte: Jótah


NA ESCOLA


Democrata é Dona Amarílis, professora na escola pública de uma rua que não vou contar, e mesmo o nome de Dona Amarílis é inventado, mas o caso aconteceu.

Ela se virou para os alunos, no começo da aula, e falou assim:

- Hoje eu preciso que vocês resolvam uma coisa muito importante. Pode ser?

- Pode - a garotada respondeu em coro.

- Muito bem. Será uma espécie de plebiscito. A palavra é complicada, mas a coisa é simples. Cada um dá sua opinião, a gente soma as opiniões e a maioria é que decide. Na hora de dar opinião, não falem todos de uma vez só, porque senão vai ser muito difícil eu saber o que é que cada um pensa. Está bem?

- Está - respondeu o coro, interessadíssimo.

- Ótimo. Então, vamos ao assunto. Surgiu um movimento para as professoras poderem usar calça comprida nas escolas. O governo disse que deixa, a diretora também, mas no meu caso eu não quero decidir por mim. O que se faz na sala de aula deve ser de acordo com os alunos. Para todos ficarem satisfeitos e um não dizer que não gostou. Assim não tem problema. Bem, vou começar pelo Renato Carlos. Renato Carlos, você acha que sua professora deve ou não deve usar calça comprida na escola?

- Acho que não deve - respondeu, baixando os olhos.

- Por quê?

- Porque é melhor não usar.

- E por que é melhor não usar?

- Porque minissaia é muito mais bacana.

- Perfeito. Um voto contra. Marilena, me faz um favor, anote aí no seu caderno os votos contra. E você, Leonardo, por obséquio, anote os votos a favor, se houver. Agora quem vai responder é Inesita. - Claro que deve, professora. Lá fora a senhora usa, por que vai deixar de usar aqui dentro?

- Mas aqui dentro é outro lugar.

- É a mesma coisa. A senhora tem uma roxo-cardeal que eu vi outro dia na rua, aquela é bárbara.

- Um a favor. E você, Aparecida?

- Posso ser sincera, professora?

- Pode, não. Deve.

- Eu, se fosse a senhora, não usava.

- Por quê?

- O quadril, sabe? Fica meio saliente…

- Obrigada, Aparecida. Você anotou, Marilena? Agora você, Edmundo.

- Eu acho que Aparecida não tem razão, professora. A senhora deve ficar muito bacana de calça comprida. O seu quadril é certinho.

- Meu quadril não está em votação. Edmundo. A calça, sim. Você é contra ou a favor da calça?

- A favor 100%.

- Você, Peter?

- Pra mim tanto faz.

- Não tem preferência?

- Sei lá. Negócio de mulher eu não me meto, professora.

- Uma abstenção. Mônica, você fica encarregada de tomar nota dos votos iguais ao de Peter: nem contra nem a favor, antes pelo contrário.

Assim iam todos votando, como se escolhessem o Presidente da República, tarefa que talvez, quem sabe? no futuro sejam chamados a desempenhar. Com a maior circunspeção. A vez de Rinalda:

- Ah, cada um na sua.

- Na sua, como?

- Eu na minha, a senhora na sua, cada um na dele, entende?

- Explique melhor.

- Negócio seguinte. Se a senhora quer vir de pantalona, venha. Eu quero vir de mídi, de máxi, de short, venho. Uniforme é papo-furado.

- Você foi além da pergunta, Rinalda. Então é a favor?

- Evidente. Cada um curtindo à vontade.

- Legal! - exclamou Jorgito. - Uniforme está superado, professora. a senhora vem de calça comprida, e a gente aparecemos de qualquer jeito.

- Não pode - refutou Gilberto. - Vira bagunça. Lá em casa ninguém anda de pijama ou de camisa aberta na sala. A gente tem de respeitar o uniforme.

Respeita, não respeita, a discussão esquentou, Dona Amarílis pedia ordem, ordem, assim não é possível, mas os grupos se haviam extremado, falavam todos ao mesmo tempo, ninguém se fazia ouvir, pelo que, com quatro votos a favor de calça comprida, dois contra, e um tanto-faz, e antes que fosse decretada por maioria absoluta a abolição do uniforme escolar, a professora achou prudente declarar encerrado o plebiscito, e passou à lição de História do Brasil.


Carlos Drummond de Andrade. Na escola. Crônicas. 14. ed. São Paulo: Ática, 1995.




POR DENTRO DO TEXTO


1. O texto que você acabou de ler conta uma história.


a) Quem são as personagens?


b) No geral, o que as personagens estão fazendo?


c) Onde ocorrem os fatos?


2. Que fatos ocorridos no texto podem acontecer no dia a dia de uma sala de aula?


3. Você entendeu a explicação de Dona Amarílis sobre plebiscito? Explique, então, do que se trata.


4. Dona Amarílis é caracterizada no texto como uma pessoa democrata. Que atitude dela prova que essa caracterização está correta?


5. Explique o que a professora quis dizer com as seguintes palavras: “Você foi além da pergunta, Rinalda.”


6. Inesita foi contra ou a favor o uso da calça comprida? Que argumento ela usou para justificar sua opinião?


7. Por que Renato Carlos e Aparecida votaram contra? Que argumento cada um deles usou?


8. As opiniões dos alunos, manifestadas no plebiscito, giram em torno de conservadorismo, inovação, liberdade e estética. Diante disso, relacione a 2ª coluna de acordo com a primeira.


(A)

avançado(a)

(     )

Inesita

(B)

inovador(a)

(     )

Gilberto

(C)

indiferente

(     )

Peter

(D)

conservador(a)

(     )

Aparecida e Edmundo

(E)

preocupado(a) com o lado estético

(     )

Renato e Rinalda


9. O que aconteceu quando os alunos quiseram discutir sobre o próprio problema, ou seja, sobre o uso do uniforme escolar?


10. Em relação às características do gênero crônica, assinale a alternativa INCORRETA.


(A) O texto tem a intenção de divertir o leitor.

(B) O texto tem a intenção de fazer o leitor pensar.

(C) O texto tem a intenção de defender uma opinião.

(D) Trata-se de um texto que narra um fato do cotidiano.



FONTE: Todos os créditos reservados aos autores: OLIVEIRA, Tania Amaral; SILVA, Elizabeth Gavioli de Oliveira; OLIVEIRA SILVA, Cícero de; ARAÚJO, Lucy Aparecida Melo. Tecendo linguagens: língua portuguesa. 3. ed. São Paulo: IBEP, 2012. (Adaptado)


 









GABARITO


1. a) A professora e os alunos.

b) As personagens estão discutindo sobre um assunto proposto.

c) Os fatos ocorrem na sala de aula, apesar de haver alusões à rua, à casa.

2. Muitos deles: um debate sobre um tema polêmico, a diferença de opinião, a votação etc.

3. Plebiscito é a participação popular (democrática) numa decisão ou escolha.

4. Ela é caracterizada como democrata, logo no primeiro parágrafo. Ela conduz democraticamente toda a discussão em torno do assunto em pauta.

5. Quer dizer que ela emitiu opinião sobre algo que não estava em votação.

6. Ela foi a favor. “Lá fora a senhora usa, por que vai deixar de usar aqui dentro?”

7. Renato Carlos acha a minissaia mais bacana. Aparecida é contra porque a calça deixa os quadris salientes.

8. A sequência correta de cima para baixo é: B, D, C, E, A.

9. A professora encerrou rapidamente a votação e retomou a aula, antes que nova discussão pudesse se estender.

10. C


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